MPE PEDE EXPLICAÇÕES SOBRE APROVAÇÃO DE COTISTA
O Ministério Público do Estado do Pará (MPE) informou
que, por meio da promotora de Justiça Maria das Graças Corrêa Cunha, instaurou
procedimento preparatório de inquérito civil para apurar a existência de
supostas irregularidades no Processo Seletivo 2015 da Universidade do Estado do
Pará (Uepa), depois de receber ofício encaminhado pelo procurador da República,
do Ministério Público Federal (MPF), Alan Mansur, que relatou uma possível
irregularidade no caso da candidata Bruna Karla Cancela, aprovada no curso de
medicina, no processo seletivo de 2015, na condição de cotista por ser bolsista
integral de um colégio particular no qual a mãe de Bruna é sócia.
O MPE enviou ofício ao reitor da Uepa solicitando que ele
“remeta informações detalhadas, no prazo de 48 horas, a respeito das
providências a serem adotadas pela Uepa quanto à situação da candidata Bruna
Karla Barata Cancela, aprovada no processo seletivo de 2015 para o curso de
Medicina, na condição de cotista por ter sido bolsista na rede privada”, diz a
nota. Continue lendo...
Augusto Barros, presidente da União Paraense dos
Estudantes (Upes), acredita que a própria Uepa deu brechas para que isso
acontecesse por conta do edital, que não tem como regra a condição social do
candidato. “As cotas são sociais e na lógica deveria ser uma vaga social. Por
isso, protocolamos junto ao MPE e também à Uepa para barrar a matrícula dessa
candidata, pois ela não se enquadra nessa condição social e entendemos que o
dispositivo de cotista foi usado de má-fé”, explica.
“Amanhã, vamos à OAB para saber como podemos entrar com
uma ação para garantir a vaga a um outro aluno que é cotista e realmente
precisa. Já questionamos isso anteriormente, quando a filha de uma
ex-vice-governadora estudava medicina em uma faculdade particular de São Paulo
e tentou transferir para a Uepa. Conseguimos reverter a situação”, disse.
BOLSISTA
Mãe de Bruna Cancela e sócia-proprietária do cursinho
pré-vestibular Equipe, no qual a candidata era bolsista, Karla Cancela afirmou
que a filha é bolsista desde os três anos de idade, pois o pai é professor
sindicalizado e esse é um dos “critérios da convenção coletiva dos
professores”.
De acordo com Karla, a Uepa adotou o sistema de cotas em
julho do ano passado. Quando isso veio a público, alguns pais procuraram a
escola por ser contra a medida adotada pela Uepa.
“Fomos ao Ministério Público para auxiliar os pais e o MP
nada fez sobre o assunto. Então, nós entendemos que o critério era legal,
independente da classe social do estudante. Antes de inscrever minha filha, eu
liguei para a Uepa como uma pessoa comum para saber se minha filha poderia
participar do processo seletivo como cotista por ser bolsista, filha de
professor. Eles disseram que ela só precisava da declaração de bolsista. Então
eu não sei qual irregularidade está sendo cobrada. nós não demos jeitinho
brasileiro e é importante deixar claro que em nenhum momento é colocada a
condição social no edital da Uepa”, afirma Karla.
A mãe de Bruna disse ainda que está aguardando ser
chamada pelo MPE, pois vai cobrar que todos os cotistas aprovados no certame da
Uepa sejam investigados. “Não é justo só minha filha ter a vida social
devastada. De 30 cotistas aprovados, apenas três são de escola pública. E nós
sabemos que há pessoas de classe social média que também entraram como
cotistas. Então, eu peço que o MPE investigue a todos os cotistas. O pai da
Bruna é professor com todos os tributos pagos. A Bruna, inclusive, fez o Enem e
foi uma das 250 pessoas que tiraram nota máxima na prova de redação”, assegura.
A pró-reitora de graduação da Uepa, Ana da Conceição
Oliveira, disse, anteontem, que, se a candidata comprovar que era bolsista
integral, ela não perderá a vaga. “As regras do edital são claras: se ela não
comprovar que é bolsista, faz parte das cotas sociais, perde a vaga”. (Diário do Pará)

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