segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

● Caboclo toma um canecão de coliformes fecais para provar que as águas de Alter do chão não estão contaminadas – O Secretário de Meio Ambiente nem apareceu no local


IGNORANDO O ESTUDO DA UFOPA SOBRE CONTAMINAÇÃO DAS ÁGUAS DE ALTER DO CHÃO - CABOCLO BEBEU UM CANECÃO DE COLIFORMES FECAIS

Neste fim de semana, em Alter do chão, um movimento organizado pelos nativos da Vila Balneária, convocou parte da imprensa santarena para que documentassem uma façanha. Um caboclo barrigudinho, tomando um canecão de água com coliformes fecais.

O movimento tenta provar através da mídia, de que as águas da praia de Alter do Chão não estão contaminadas e que o estudo feito pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) que comprovou a existência de coliformes fecais na água é uma mentira.

Um caboclo chamou o cinegrafista e numa caneca improvisada de plástico de garrafa pet, encheu de água da beirada do Tapajós, e deu uma golada para mostrar que tudo não passa de mentira, que há uma campanha maldosa contra a praia mais linda do Brasil.

O Secretário de Meio Ambiente de Santarém, nem compareceu no local, as pessoas que estavam observando a proeza do caboclo bebendo aquela água, questionaram por que o Secretário Podalyro Neto, não vinha beber a água também, para dar força ao movimento.


Movimento dos nativos de Alter do Chão quer provar que a água não está contaminada
LEIA SOBRE O ESTUDO DA UNIVERSIDADE QUE ANALISOU A ÁGUA DE ALTER DO CHÃO

Uma pesquisa acadêmica da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém, oeste do Pará, feita no período de fevereiro a dezembro de 2014, apontou a existência de coliformes fecais em três pontos do rio Tapajós, na vila balneária de Alter do Chão. Segundo o estudo, que está em fase de conclusão, o mês de março foi o que teve maior quantidade de bactérias encontradas. No ponto que fica em frente a orla da vila, a cada 100 mililitros de água foram detectados 2 mil coliformes.

O estudo de qualidade microbiológica para classificação da balneabilidade como própria ou imprópria foi realizado pela estudante do 7º semestre do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental, Ana Queloene Corrêa, sob a orientação da professora Graciene Fernandes. A presença de coliformes significa que há condição de acontecer contaminação por doenças naquele ambiente.

Além da praia em frente a orla de Alter do Chão, a pesquisa analisou a água da praia do Cajueiro e da Ilha do Amor, que tiveram números inferiores. Na Praia do Cajueiro, o mês em que mais foram encontradas bactérias foi em abril, com 1.100 por 100 mililitros de água. Na Ilha do Amor, o mês de maio teve maior incidência, com 1.090 coliformes fecais/100 ml.

De acordo com o estudo, apesar do mês de março ter tido um pico que preocupa, a água ainda está propícia para a recreação. “Ainda não está naquele limite para se dizer que não pode mais entrar na água, mas já é bastante preocupante, porque está no nível de satisfatória, entre própria e imprópria”, destacou a acadêmica.

O artigo 20 da Resolução 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) , classifica as águas destinadas à recreação de contato primário nas categorias próprias e impróprias. As águas próprias são classificadas como excelente, muito boa e satisfatória. Um dos fatores que podem tornar a água imprópria para a recreação é quando no trecho avaliado, o valor obtido na última amostragem for superior a 2.500 coliformes fecais. “As coletas eram realizadas mensalmente, assim como manda a resolução. Sempre coletamos nos mesmos locais, só respeitando a margem, então íamos um pouquinho mais a frente dependendo do nível do rio. Como coletamos durante todo um ciclo hidrológico, obedecendo a flutuação do rio, obedecemos a questão de um metro da margem. Assim a gente diminui os fatores de interferência nesses resultados”, explicou a professora.

Graciene explica que as altas temperaturas, crescimento da população, período de festividades, enchente, desmatamento da mata ciliar, despejo de resíduos sólidos e líquidos no rio, além da questão geográfica da praia são alguns dos fatores que contribuem para que o ambiente se torne propício para a proliferação de bactérias.

Além de Alter do Chão, a pesquisa também foi realizada nas praias de Pajuçara e Maracanã. Nesses lugares foram encontrados coliformes fecais dentro dos limites considerados normais para a resolução da Conama e para a legislação ambiental brasileira. “Graças a Deus o poder de diluição do nosso rio é muito grande. Muitos resíduos que são despejados direto no rio, que acaba se transformando em uma fossa, mas que tem um poder de depuração e diluição muito grande. Em Alter do Chão, aconteceu de registrar esse número porque existe toda uma situação ambiental e geográfica que permite isso. No Maracanã, por exemplo, é uma área mais aberta, o rio corre mais, então leva muito mais rápido os resíduos, então é muito mais difícil haver o crescimento microbiano ali”, comentou Graciene.

"Ainda não está naquele limite para se dizer que não pode mais entrar na água, mas já é bastante preocupante" (Acadêmica, Ana Queloene Corrêa)

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