quinta-feira, 30 de julho de 2015

Fui uma criança pobre, como foram todos os meus irmãos, mas, mesmo tendo meus pais uma prole considerável, jamais nos negaram a visita de Papai Noel.

Há colégios que têm se desdobrado em, a título de querer ser o conscientizador das santas mentiras que desde a nossa infância nos são contadas, usam de seus recalques do passado para apagar a poesia que essas mentiras nos envolveram e nos envolverão sempre. Nos colégios de formação também religiosa, essa prática é mais comum, pois “para o bem da moral e dos bons costumes” as crianças devem saber desde cedo que Papai Noel não existe, para que não cresçam com traumas e as guardem pela vida toda.
Falam de Papai Noel de maneira debochada e direcionam ao pai genético ou ao padrasto a responsabilidade de contarem-lhes a verdade sob pena de estarem criando futuros delinquentes, quem sabe, revoltados por terem sido enganados à vida toda.
Debocham das famílias que ainda mantém essa história sobre Papai Noel e fazem de tudo para que as crianças acreditem que aquilo é uma besteira. Induzem-nas a questionarem essas e outras mentiras alegando que as crianças já têm idade suficiente de saberem as verdades da vida. Continue lendo...
A hipocrisia é tamanha, pois, não aconselham a verdade sobre mentiras contadas sobre: “como são feitos os bebês”, “como somos trazidos pelas cegonhas”, enfim. O pecado maior é a mentira da lenda Papai Noel.
Para nós que não somos filhos da ignorância e nem somos extremamente puritanos, essas questões são naturais no tratamento familiar, principalmente quando há, desde cedo, diálogo franco e aberto com as crianças desde a mais tenra idade.
O Papai Noel, nada mais é do que a materialização da poesia em forma de sorrisos. Quem desconhece a reação de uma criança quando esta recebe das mãos do Papai Noel ou mesmo, quando encontra sob sua rede ou cama, um presente deixado pelo bom velhinho? Reação que não existiria se esse mesmo presente fosse entregue pelo pai, na hora do café da manhã, por exemplo.
A magia do velhinho de barbas brancas, simbolizando o Pai Celestial pintado por Michael Ângelo, ou mesmo, a simbólica presença de um avô querido, envolvem de encantamento a alma da criança fazendo-a transpor as linhas do infinito e chegar aos pés de Deus.
Nunca ouvi dizer que alguma criança tivesse, mesmo sabendo de sua não existência, deixado de esperar, todos os anos, o velho Papai Noel, cheio de amor e presentes para lhe dar.
Hoje, ao longo de uma existência cheia de bons momentos e de grandes oportunidades, mesmo levando uma vida de real prosperidade, tenho saudade do Papai Noel da minha infância. Um homem que era a bondade em pessoa, a lealdade infinita, a pontualidade solar. Um homem que tinha o privilégio de ser o pai da humanidade por apenas uma noite e nessa mesma noite ter a possibilidade de visitar a todos os seres humanos e desumanos de todos os recantos do planeta Terra.
Mas hoje, querem que nossas crianças saibam que ele não existe, e o que é pior, que nunca existiu. Que Maldade! Talvez, quem assim age, sejam daquelas pessoas que no passado não receberam presentes do Papai Noel por que eras pobres de espírito ou sem recursos familiares para que seus pais lhe presenteassem um mimo natalino. Não sabem eles que, os que não recebem presentes materiais, com certeza, devido ao impacto que o momento natalino causa às pessoas, muitas receberam beijos e abraços dados com amor e carinho nos braços entrelaçados de seu pai e de sua mãe no soar da meia-noite ou na hora do café. Quem sabe?
Fui uma criança pobre, como foram todos os meus irmãos, mas, mesmo tendo meus pais uma prole considerável, jamais nos negaram a visita de Papai Noel. Dormíamos cedo, sem antes deixar de colocar nossos sapatinhos ou chinelos embaixo da rede, e dormíamos com o coração em sobressaltos.
Pela manhã, a alegria. Em baixo de cada rede lá estava o nosso presente, que se resumia num lápis com borracha, numa caixa de bombons, numa tabuada e um caderno de caligrafia, um pequeno dicionário ou um livro do Pato Donald, presentes que faziam a nossa festa, principalmente com o lápis de cor que um outro também ganhara. Papai Noel era o assunto dia.
Hoje querem tirar de nossas filhos e netos essa magia que mais humaniza do que degrada nossas crianças; que mais dá força aos encantos da sociabilidade entre nossas crianças que, sem maldades e sem preconceitos, ou mesmo, desprovidas de maldades, vão às ruas e dividem com outras crianças a felicidade de terem sido visitadas por um emissário de Deus.
Há poesia mais bonita que esta do Natal? Que me perdoem os maus educadores, mas a ternura é fundamental!

a) Nonato Loureiro

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