STF SUSPENDE MANOBRA DE CUNHA QUE PODE LEVAR IMPEACHMENT
AO PLENÁRIO
FOLHA DE SÃO PAULO MARINA DIAS MÁRCIO FALCÃO DE BRASÍLIA
MONICA BERGAMO COLUNISTA DA FOLHA
O STF (Supremo
Tribunal Federal) determinou nesta terça-feira (13) a suspensão de uma manobra
regimental acertada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com a
oposição, que poderia levar o pedido de impeachment da presidente Dilma
Rousseff ao plenário da Câmara. O ministro Teori Zavascki concedeu liminar ao
mandado de segurança dos deputados petistas Wadih Damous e Paulo Teixeira
pedindo que fosse sustado qualquer processo de impeachment que tivesse por base
apenas o rito imposto pelo próprio Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pelo regimento
interno da Câmara. O advogado da campanha de Dilma, Flávio Caetano, consultou a
decisão no site do STF (Supremo Tribunal Federal), mas diz que ainda não é
possível ter acesso à sua íntegra – o que será possível a partir das 11h,
quando a corte abre seu expediente... Continue lendo...
Ele acredita, no entanto, que "a
decisão suspende a tramitação de qualquer processo de impeachment nas próximas
sessões". Por lei, cabe ao presidente da Câmara dizer se aceita ou não um
pedido de impeachment. Em resposta à questão levantada pelo líder do DEM,
Mendonça Filho (PE), e outros líderes oposicionistas, Cunha estabeleceu que, em
caso de rejeição, cabe recurso ao plenário, onde bastará o voto da maioria dos
presentes à sessão para que seja dada sequência ao pedido. A decisão do STF
pode levar o presidente da Câmara a ter que acolher individualmente o pedido.
Esse é o pior cenário para o governo, porque não cabe recurso da decisão por
parte do plenário, sendo que o processo é aberto imediatamente. Apesar de
pessimistas quanto à tramitação de um processo de impeachment, ministros
próximos à presidente avaliavam que a decisão do STF significaria "uma
vitória política" de Dilma. Dessa forma, afirmam os auxiliares da
presidente, seria possível que Dilma continuasse na tentativa de buscar apoio
no Congresso. Durante a reunião de sua coordenação política, nesta terça-feira
(13), Dilma cobrará mais uma vez que seus ministros garantam votos a seu favor
no Congresso e dirá que "o governo de coalizão precisa ser cumprido".
O Planalto teme que Cunha acelere o pedido após a revelação de que documentos
do Ministério Público da Suíça enviados a Procuradoria-Geral da República mostram
que recursos supostamente desviados da Petrobras, em um operação na
África, abasteceram suas contas secretas e de familiares em bancos
suíços. Cunha já é alvo de denúncia no STF por crimes de corrupção
passiva e lavagem de dinheiro por suposta participação em desvios da Petrobras,
em contratos de navio-sonda, acusado de receber US$ 5 milhões em propina. (Editoria de Arte/Folhapress)
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