EX-MINISTRO PAULO BERNARDO É PRESO PELA POLÍCIA FEDERAL
EM BRASÍLIA
Suspeita é de desvio de dinheiro. Ex-ministro é casado
com a senadora petista Gleisi Hoffmann
A PF (Polícia Federal) iniciou na manhã desta quinta-feira
(23) a operação Custo Brasil, que levou à prisão do ex-ministro Paulo Bernardo
(PT), em Brasília. A operação acontece simultaneamente nas cidades de Curitiba
(PR), São Paulo (SP) e Brasília (DF).
A operação, feita em parceria com o MPF (Ministério
Público Federal) e a Receita Federal, seria um desdobramento da 18ª fase da
Operação Lava Jato, chamada de Pixuleco 2. A 6ª Vara Criminal Federal de São
Paulo.
De acordo com a PF, a ação apura o pagamento de propina,
a partir de contratos de prestação de serviços de informática, na ordem de R$
100 milhões, entre de 2010 e 2015. Os beneficiários teriam sido pessoas ligadas
a funcionários públicos e agentes públicos ligados ao Ministério do
Planejamento.
A PF informou também que existem pistas de que a pasta
direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia
e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de
funcionários públicos federais com bancos privados, interessados na concessão
de crédito consignado.
Pelo menos 70% dos pagamentos feitos por essa empresa
eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos
com influência no Ministério do Planejamento por meio de outros contratos —
fictícios ou simulados.
Paulo Bernando foi ministro do Planejamento entre 2005 e
2010, durante o governo Lula, e das Comunicações, entre 2011 e 2015, já no
governo Dilma Rousseff.
Contra Bernardo há uma suspeita de desvio de dinheiro da
Petrobras, em 2010, para financiar a campanha eleitoral da mulher para o
Senado. Agentes da PF também estão na sede do PT (Partido dos Trabalhadores) em
São Paulo.
O ex-ministro é marido da senadora Gleisi Hoffmann
(PT-PR). A senadora está em viagem internacional e não presenciou a prisão do
marido. A PF não confirmou se há também um pedido de prisão para a senadora.
Ao todo, os agentes federais cumprem 11 pedidos de prisão
preventiva, 40 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de condução
coercitiva em quatro Estados — São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco
— e no Distrito Federal.
Os suspeitos deverão responder por crimes como tráfico de
influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e
organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.
SUPREMO
Em maio deste ano, o ex-ministro, a senadora e o
empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba foram denunciados pela
Procuradoria-Geral da República. Paulo Bernardo e Gleisi foram denunciados por
corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O inquérito policial concluiu que os dois receberam R$ 1
milhão de propina de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobras. O
valor teria sido utilizado para custear as despesas da eleição dela ao Senado
em 2010.
A Procuradoria sustenta que o então ministro solicitou a
quantia em favor da mulher diretamente ao engenheiro Paulo Roberto Costa na
época diretor de Abastecimento da Petrobras e um dos articuladores do esquema
de corrupção na estatal indicado pelo PP. Preso em 2014, Costa fez delação
premiada.
O doleiro Alberto Youssef, que também fez delação,
operacionalizou o pagamento. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, o doleiro administrava o caixa de propinas do PP de onde saíram os
valores em questão. (noticias.r7.com)

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