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APÓS ALTA NO IBOPE, CIRO VAI AO NORDESTE EM BUSCA DE VOTO TRADICIONAL PETISTA -
Com a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) barrada pelo
Tribunal Superior Eleitoral, o candidato do PDT à Presidência nas eleições
2018, Ciro Gomes, inicia nesta quinta-feira, 6, uma incursão pelo Nordeste para
tentar ganhar mais espaço em Estados com eleitorado tradicionalmente petista.
Em ascensão na preferência dos eleitores, segundo pesquisa Ibope divulgada
ontem, a ideia do pedetista é “virar” o apoio de ao menos cinco governadores
que hoje estão mais próximos do PT por causa de Lula. Estão na mira palanques
no Ceará, Sergipe, Paraíba, Maranhão e Alagoas. Dos “alvos” principais, apenas
Alagoas não deve entrar no roteiro de campanha de Ciro nesta semana. Aliados do
candidato apostam que, após a decisão do TSE de rejeitar o registro Lula,
condenado e preso no âmbito da Operação Lava Jato, candidatos aos governos
estaduais que firmaram compromissos com o ex-presidente agora vão abrir mais
espaço ao candidato do PDT. O entendimento destes aliados é de que os
candidatos aos governos não estarão dispostos a abrir o mesmo espaço a Fernando
Haddad, que, pelos planos do PT, deve substituir Lula até o dia 11. Segundo o
Ibope, Haddad aparece com 6% das intenções de voto, enquanto Ciro tem o dobro,
12%. Na avaliação da campanha de Ciro, o compromisso de alguns aliados petistas
é com a pessoa de Lula e não com seu partido. Nesta quinta-feira, Ciro tem
compromissos em Aracaju (SE), Caruaru (PE) e Natal (RN). Na capital sergipana,
Ciro participa de ato político acompanhado do candidato do PSB ao governo do
Estado, Valadares Filho, que tem o PDT como vice na sua chapa. Já no Rio Grande
do Norte, ele terá ao seu lado o candidato do próprio partido ao governo,
Carlos Eduardo Alves. Na sexta, 7, feriado da Independência, será a vez de São
Luís (MA) e Massapê (CE). Por último, a expectativa é de que o candidato visite
Juazeiro do Norte (PB) e Campina Grande (PB), no sábado, 8. No total, serão
seis Estados em três dias. Essas agendas ainda podem sofrer alterações. Na
capital maranhense, Ciro planeja, inclusive, fazer uma caminhada ao lado do
atual governador do Estado e candidato à reeleição, Flávio Dino, que tem tanto
PDT quanto PT em sua aliança. “Ele (Flávio Dino) já recebeu (o Ciro) e vai
continuar recebendo, eles são amigos pessoais. Aqui o governador tem o apoio de
16 partidos políticos, dos coxinhas aos mortadelas. Então ele não fecha
palanque para ninguém, o combinado é que quem pisar aqui, se quiser ter
atividade com ele, o Dino vai receber. Ele não vai tendenciar”, afirmou
Weverton Rocha (PDT-MA), candidato ao Senado na chapa. “Cada partido, cada
agrupamento da coligação, pede votos para seus candidatos. O pessoal do Lula
pede para o Lula, o pessoal do Ciro pede para o Ciro, tem até gente de
Bolsonaro. O primeiro turno aqui vai ser de palanque estadual, a gente não
nacionaliza a eleição”, complementou. Quando questionado se há um trato firmado
entre Flávio Dino com Ciro Gomes por espaço no palanque, o presidente do PDT,
Carlos Lupi, responsável por essas costuras partidárias, costuma usar um episódio
recente para cutucar o PT. “(Flávio) Dino vai ser nosso. Já é né porque o PT
apoiou a Roseane (Sarney, em 2014). Quem tem memória lembra-se disso”, afirmou.
Lupi também dá como certa a “traição” quando fala da Paraíba, Estado no qual o
candidato é João Azevedo (PSB), homem de confiança do atual governador Ricardo
Coutinho. Isso porque Coutinho prometeu apoio a Lula, mas não teria a mesma
reciprocidade com Haddad. Na visita ao Estado, Ciro também planeja visitar
trecho já inaugurado da transposição do Rio São Francisco, obra da qual se
envolveu quando foi ministro da Integração do próprio Lula. Esse deve ser um
dos principais triunfos usado pelo cearense na passagem pela região. Já em
Alagoas, o combinado de Lula é com o senador e candidato à reeleição Renan
Calheiros (MDB-AL), responsável pelas alianças do seu primogênito, o governador
Renan Filho, que também tenta a reeleição. A interlocutores, Calheiros têm dito
que seu filho irá colocar no palanque “quem Lula indicar”. Mas isso não
significa que Ciro também não terá seu espaço. A avaliação na campanha dos
Calheiros é que, como foi formada uma coligação ampla, não se pode restringir
acesso a outros presidenciáveis. Somente no Ceará, o PT já trata com
naturalidade essa possível “invasão” do PDT. Isso porque o atual governador
Camilo Santana (PT-CE) é ligado ao clã dos Gomes e foi eleito com ajuda dos
irmãos Cid e Ciro. Por causa disso, os petistas não irão exigir exclusividade
no palanque de seu próprio candidato, que tenta a reeleição. (Estadão)

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