● SENADO PODE TER CPI PARA INVESTIGAR JUDICIÁRIO - O
Senado pode ter uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o
Poder Judiciário. O requerimento para averiguar a atuação dos tribunais
superiores foi protocolado nesta quinta-feira (8) pelo senador Alessandro
Vieira (PPS-SE). O pedido destaca que “não se trata de perquirir as atribuições
do Poder Judiciário, mas, sim, de investigar condutas que extrapolem o
exercício regular dessas competências”. O parlamentar propõe averiguar o abuso
de pedidos de vista ou expedientes processuais para retardar ou inviabilizar
decisões de plenário, a diferença do tempo de tramitação de pedidos a depender
do interessado e o excesso de decisões contraditórias para casos idênticos. Ele
também sugere que seja investigado o desrespeito ao princípio do colegiado, a
diferença do tempo de tramitação de pedidos, a depender do interessado e a
participação de ministros em atividades econômicas incompatíveis com a Lei
Orgânica da Magistratura. “Nosso objetivo é abrir a caixa-preta deste Poder que
segue intocado, o único que segue intocado na esfera da democracia brasileira.
E só existe democracia quando a transparência chega a todos os lugares. A
democracia não pode ser seletiva”, afirmou o senador, no plenário. Nos
bastidores, a investigação vem sendo chamada de “Lava Toga”. “Nossos tribunais
superiores se transformaram em um aglomerado de decisões monocráticas, o que
gera uma loteria. Se o cidadão que vai apresentar uma ação é sorteado para o
ministro “X”, ele tem a decisão para um lado; se é para o ministro “Y”, é para
o outro. O colegiado já decidiu o assunto e eles desrespeitam. Isso precisa ser
resolvido. E, para resolver isso, a gente precisa estudar, compreender e propor
eventualmente uma lei”, defendeu. Se o requerimento for lido em plenário, o
grupo deverá ser composto por 10 titulares e seis suplentes que vão trabalhar
por 120 dias, com limite orçamentário de R$ 30 mil. Procurada pela reportagem a
Associação Nacional dos Juízes Federais (Ajufe) não quis comentar o assunto. O
presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil , Felipe Santa
Cruz, não retornou as ligações e a assessoria do Conselho Nacional de Justiça
também não se pronunciou. (Agência Brasil)

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