● QUEIROZ DIZ A MP QUE ‘GERENCIAVA’ SALÁRIOS - Ex-assessor
de Flávio Bolsonaro (PSL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj),
Fabrício Queiroz afirmou ao Ministério Público do Estado que fazia o
“gerenciamento financeiro” de valores recebidos pelos demais servidores do
gabinete. Em defesa apresentada por escrito, ele negou que tenha se apropriado
desses valores, que, pela sua versão, eram usados posteriormente para ampliar a
rede de “colaboradores” que atuavam junto à base eleitoral do parlamentar
fluminense. Ele afirmou ainda que, como acreditava estar agindo de forma lícita
e dispunha da confiança de Flávio, “nunca reputou necessário expor” ao chefe “a
arquitetura interna do mecanismo que criou”. Esta é a primeira vez que Queiroz
apresenta seus argumentos ao MP do Rio. Antes disso, ele não havia respondido a
quatro convites para prestar depoimento, com alegações como a de que estava em
tratamento de saúde – o ex-assessor está desde o final de dezembro em São Paulo
para tratar de um câncer. Depois das sucessivas ausências, o MP afirmou que
poderia concluir as investigações mesmo sem ouvi-lo. Queiroz é investigado
depois de o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar
movimentações financeiras “atípicas” em suas contas – o conteúdo do relatório
foi revelado pelo Estado. O ex-assessor movimentou R$ 1,2 milhão em conta
bancária entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O Coaf identificou que outros
servidores do gabinete de Flávio repassaram parte dos seus salários a Queiroz,
na maioria das vezes em datas próximas ao pagamento na Alerj. A suspeita do
MP-RJ é de que o ex-assessor recolhia o dinheiro para si próprio ou para
entregar ao então deputado estadual, hoje senador. Na manifestação, Queiroz
afirma que “entendeu que a melhor forma de intensificar a atuação política
seria a multiplicação dos assessores da base eleitoral, valendo-se, assim, da
confiança e da autonomia que possuía para designar vários assistentes de base,
a partir do gerenciamento dos valores que cada um recebia mensalmente”. “Com a
remuneração de apenas um assessor parlamentar conseguia designar alguns outros
assessores para exercer a mesma função, expandindo a atuação parlamentar do
deputado”, afirmou o ex-assessor, no documento encaminhado ontem ao MP. (Estadão)

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