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VAQUINHA DO GARIMPO PAGA ÔNIBUS ATÉ BRASÍLIA - Empresários do setor do garimpo
das regiões do Alto e do Médio Tapajós, no Pará, financiaram dois ônibus que
levaram indígenas munduruku a Brasília para se manifestarem, em pleno Dia do
Índio, a favor do PL 191, que pretende legalizar a mineração em terras indígenas.
A regularização da atividade, hoje ilegal, faz parte das promessas de campanha
do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A invasão de garimpeiros nas terras
indígenas da região do Tapajós vem sendo denunciada por associações e conselhos
dos povos mundurukus, expondo a escalada de tensão entre indígenas pró-garimpo
e contrários a ele dentro da mesma etnia. Mensagens obtidas pela Folha mostram
que empresários do setor do garimpo ilegal na região apoiaram financeiramente a
viagem dos manifestantes por meio de uma vaquinha feita para fretar os ônibus
que partiram de Jacareacanga, a 1.150 km a sudoeste de Belém (PA), no Alto
Tapajós, rumo a Brasília. Nos ônibus viajaram mundurukus pró-garimpo, entre
eles idosos, mulheres e crianças. A ideia dos empresários do setor seria
pressionar autoridades pela aprovação do PL 191 e impressioná-las com o apoio
de indígenas à exploração de minérios em terras protegidas por lei. O primeiro
nome da lista de 55 doadores é o do empresário Roberto Katsuda, maior revendedor
de escavadeiras e retroescavadeiras da região, que teria doado R$ 10 mil para a
empreitada. Na manhã do último domingo, cerca de 300 indígenas mundurukus
contrários ao garimpo ilegal fizeram uma manifestação na aldeia Missão São
Francisco do rio Cururu, no Alto Tajapós (PA). Eles seguravam faixas com frases
como “povo munduruku diz não à legalização da mineração em terras indígenas” e
“não à aprovação do PL 191”. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o
grupo de indígenas que deve chegar a Brasília nesta segunda-feira (19) é uma
minoria munduruku aliciada por garimpeiros ilegais. Em nota, o MPF denuncia que
“a comitiva não representa o interesse da maioria da etnia Munduruku, e sim
apenas o interesse de mineradores ilegais que aliciaram e financiam o grupo
minoritário”. O MPF informou que teve acesso a áudios postados em grupo de
garimpeiros que revelavam a estratégia dos criminosos de levar os indígenas a
Brasília para barrar operações contra a mineração ilegal e pressionar pela
aprovação do PL 191. (Fonte: Folha de SP)

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