domingo, 25 de abril de 2021

Em Alenquer, as águas do rio Surubiu e Santo Antônio, padroeiro ximango - são eles que regem a vida do caboclo alenquerense, que nesta cheia tá cabreiro que nem cachorro em proa de canoa.

● AS ÁGUAS DO SURUBIU BEBEM ALENQUER NO TEMPO DE ALAGAÇÃO – Nuvens carregadas sobre a cidade ximanga, vento de cima, manhã de abril amazônica, no Lanche do Canhoto um caboclo remelento da cidade, arenga com a cheia, porque tá caindo muita água, acabando com as ruas da cidade, a chuva é malina, dá uma preguiça ‘disgramada’ no caboclo, deixando o peste engilhado na rede dele, pensativo numa morena das pernas grossas, que ele viu na rua da beira, se equilibrando sobre a maromba com uma roupa colada de ginástica torneando as curvas bem desenhadas da fêmea – Pela manhã, quando ela fica chuvinha de molhar besta, ele só tem vontade de espiar pela janela, a biqueira cair no caco de telha na ilharga da casa – Tem uma panela de mingau de banana no fogão de lenha, que nem um imã para atrair o caboclo, que enche uma cuia pitinga de mingau, empoa com pó de canela e fica só tintiando, espiando a chuva cair no quinteiral, passando o dedo no celular vendo os mentirosos do zap zap... trabalhar que é bom, nem venha com essa conversa de abestado pra cima dele – Já outro caboclo de Cuipeua se equilibra na maromba na ilharga do Gaúcha Hotel, se benze três vezes, acabou de tomar um café quente, pois tomar café quente e sair na chuva, dá passamento e muita gente já bateu as botas, com esse negócio de tomar café quente apressado e sair no chuviscado - Na conversa com o parceiro dele, seu Zeca do Curuá, ele faz um agradecimento as águas do Surubiu, para que a cheia seja muito grande e o verão venha bonito, pras bandas de Parangaba, Mamia, Pacoval, Canea, Araparí, Açucena, Baltazar e leve fartura até na região do Tumucumaque, onde ele costuma pescar nas cabeceiras, que dá um ‘poderar’ de peixe de toda espécie – Nas cidades ribeirinhas da Amazônia, quem dita o ritmo da vida é o rio, que banha a cidade, no verão o caboclo tem um ritmo de trabalho, no inverno ele encara a vida de outra maneira, - Em Alenquer, as águas do rio Surubiu e Santo Antônio, padroeiro ximango - são eles que regem a vida do caboclo alenquerense, que nesta cheia tá cabreiro que nem cachorro em proa de canoa. 

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