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'QUE GOLPE É ESSE? NÃO CONSIGO ENTENDER', DIZ NOVO COMANDANTE DA MARINHA - Na
primeira entrevista de um dos três chefes das Forças Armadas após as mudanças
promovidas por Bolsonaro, almirante Almir Garnier Santos diz que as falas do
presidente são para sua base eleitoral e não incomodam - O almirante Almir
Garnier Santos, de 60 anos, recebeu ÉPOCA em seu amplo gabinete no segundo do
andar do bloco N, na Esplanada dos Ministérios, para sua primeira entrevista
depois de assumir o cargo de comandante da Marinha. Na nova mesa de trabalho,
Garnier, como é chamado, colocou três porta-retratos. No primeiro, ele está com
a esposa, Selma. No segundo, sua mãe, Sulayr, aparece abraçada ao presidente
Jair Bolsonaro na sua cerimônia de posse, no começo de abril. Na terceira foto
estão seu filho, nora e neta.
Garnier começou sua vida na Marinha aos 10 anos, quando
entrou na Escola Industrial da Marinha, no Rio de Janeiro, onde nasceu. Já com
bastante experiência no mar, aos 31 anos fez mestrado em pesquisa operacional e
análise de sistemas na Naval Postgraduate School (NPS), nos Estados Unidos. De
volta ao Brasil, desenvolveu projetos de otimização de recursos, de emprego de
Poder Naval, de jogos para treinamento de Guerra Naval e de implantação de
sistemas de tecnologia da informação e comunicações.
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Os novos comandantes vieram para ser alinhados ao presidente? Todos os
comandantes são alinhados ao presidente porque são hierarquicamente
subordinados ao comandante supremo. Serei subordinado ao comandante supremo, de
acordo com as leis brasileiras, como todos os que me antecederam.
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Quando Bolsonaro fala que aguarda sinalização do povo para agir, muita gente
pensa que vai ter golpe. Isso é um risco? (Garnier ri, assim como os demais
presentes na sala) O presidente foi eleito democraticamente. Que golpe é
esse? Não consigo entender. Mas, também, não é meu papel entender. Meu papel é
fazer o que venho fazendo aqui, reunindo com os demais membros do almirantado,
planejar as próximas ações da Marinha, continuar o grande trabalho que o
almirante Ilques (Barbosa) vinha fazendo.
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O senhor se surpreendeu com a demissão do ministro Azevedo e Silva e dos
comandantes? Foi um trauma? Foi uma surpresa, mas não foi um trauma. É um
processo normal de mudança. As mudanças ocorrem em função de um contexto.
● Ficaram feridas? Conosco não.
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O presidente disse, em meados de abril, que aguarda a sinalização do povo para
tomar providências. Esse tipo de fala mais provocativa incomoda a Marinha? De
jeito nenhum. O que incomoda a Marinha é ter pouco orçamento, ter pouco navio,
não ter mais oportunidade de apoiar a população brasileira.
Esses arroubos do presidente não causam desconforto? Não
são conosco. Ele fala com a população como um todo. Ele tem uma grande base
eleitoral. Como cidadão, vejo os números de pesquisa apresentados. Dois anos de
mandato é um momento crítico para todo presidente. Temos uma pandemia. E, ainda
assim, ele tem uma grande base que o acompanha nas redes sociais, que o recebe
nos locais a que ele vai. Então, ele fala para o eleitorado dele, com as bases
dele.
Leia a entrevista completa, exclusiva para assinantes:
O que o novo comandante da Marinha pensa da conjuntura política

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