— É o dia mais triste da nossa história. Esse fato
aconteceu em uma cidade tranquila como a nossa, onde jamais imaginamos que
poderíamos passar pelo momento que estamos passando. — afirmou Schneider.
A professora foi identificada como Keli Adriane
Aniecevski, de 30 anos, e a agente educacional como Mirla Renner, 20 anos. As
crianças são Anna Bela Fernandes de Barros, de um ano e oito meses, Murilo
Massing, de um ano e nove meses, e Sarah Luiz Mahle Sehn, de um ano e sete
meses. Cada uma das vítimas recebeu pelo menos cinco golpes de facão.
As investigações da polícia não revelaram, até o momento,
qualquer relação das vítimas com o assassino. O computador usado por ele foi
apreendido.
O delegado Jerônimo Marçal Ferreira, que está
investigando o caso, diz que a polícia trabalha com várias hipóteses para a
motivação do crime, analisando a vida pregressa do jovem e suas relações
afetivas.
Depois do ataque, Mai saiu da escola, foi abordado por
outras pessoas e tentou se matar. Ele está internado em estado grave neste
momento, em um local que não foi divulgado pelas forças de segurança.
De acordo com o perito criminal Carlos Augusto Nogueira
Júnior, gerente da 5ª Gerência Mesorregional de Perícias de Fronteira, os
corpos das vítimas estão em Chapecó e devem ser liberados às famílias até as
22h desta terça-feira.
— O laudo cadavérico será confeccionado posteriormente
por um perito legista, mas segundo um exame rápido das vítimas que fizemos no
necrotério, todas as vítimas, à exceção da servidora (Mirla Renner) receberam
pelo menos cinco golpes de facão, majoritariamente ferimentos
perfuro-cortantes. Uma das crianças chegou a ter cinco perfurações nas costas —
afirmou Nogueira.
— Esse episódio pegou a todos de surpresa. Se nós não
estudarmos e buscarmos outras informações, não saberemos o porquê. E é por isso
que as investigações estão sendo incitadas. Tudo aquilo que puder ser trazido
ao domínio público assim o será feito, mas, por outro lado, eu peço que deixem
que as forças de segurança de Santa Catarina, em especial a Polícia Civil,
juntamente com o MP e o Poder Judiciário, possam trabalhar na busca das
respostas — afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Koerich.
●
SEM ANTECEDENTES - De acordo com o delegado Jerônimo Ferreira, o jovem não era
uma figura conhecida pela Polícia Civil, não tinha antecedentes criminais e não
há indícios de que essa ação tenha contado com o envolvimento de qualquer outra
pessoa ou grupo. O delegado também reconheceu a bravura das profissionais da
escola, inclusive as que conseguiram trancar as portas das salas e não deixaram
o assassino entrar.
— Ele tentou entrar todas as salas e não conseguiu.
Aquelas mulheres conseguiram evitar que um mal maior acontecesse, foram muito valentes
— afirma Jerônimo.
A governadora de Santa Catarina Daniela Reinehr também
prestou sua homenagem às duas profissionais que perderam a vida no incidente.
— Temos duas heroínas, que Deus as receba junto com essas
três crianças. Força e resiliência às famílias, desejo a todos que consigam
superar esse momento triste da sua vida — disse Reinehr.
Está marcado para as 9h desta quarta-feira (5) uma missa
de corpo presente, celebrada pelo Bispo Dom Odelir e o padre local, no módulo
esportivo do município, onde também ocorre o velório das vítimas.
●
QUEM SÃO A PROFESSORA E A AGENTE EDUCACIONAL - As vítimas adultas foram a
professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, e a agente educativa Mirla
Renner Costa, de 20 anos. Keli Adriane tinha um irmão, morador de São
Miguel do Oeste, e morava com os pais em Saudades. Trabalhava há cerca de 10
anos na Aquarela, onde era adorada pelas crianças. Era lembrada como uma pessoa
alegre, querida e extrovertida. Filha de costureira e vaidosa, ela posava como
modelo plus size para uma marca de roupas de Saudades, a Assiral. Mirla
havia completado 20 anos em janeiro passado e morava com a família em Saudades.
Era filha única. Em 2018, ela passou em terceiro lugar em um concurso público
da prefeitura do município como agente educativo, função que exercia há cerca
de um ano na Aquarela quando foi atacada. Desde 2019 ela estudava Engenharia
Química no campus de Pinhalzinho da Universidade do Estado de Santa Catarina
(Udesc).
● QUEM É O AUTOR DO ATAQUE - Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, chegou de bicicleta e com uma mochila nas costas e, na creche, agrediu alunos e professores com um facão de cerca de 80 centímetros. Ele portava duas facas — uma outra menor não foi usada. Ele também, portava alguns explosivos de baixo impacto. Na sua casa, os agentes de segurança encontraram as embalagens das duas facas utilizadas no crime e cerca de R$ 11 mil que foram guardados pelo jovem. Segundo o delegado Ferreira, Mai "estava guardando dinheiro". —Era um rapaz problemático, segundo relatos de pessoas próximas a ele, que vinha enfrentando bullying na escola, era introspectivo, teve casos de maus tratos aos animais, gostava de jogos online, alguns violentos. Era de família humilde e trabalhador, funcionário em uma empresa de Saudades e estava guardando dinheiro — disse o delegado Jerônimo, referindo-se à quantia de R$ 11 mil que foi encontrada na casa do rapaz.(Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/)

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