O cargo tem ampla visibilidade, maiores recursos em
emendas e força para articulações políticas. É no Senado que nomes indicados ao
Supremo Tribunal Federal (STF) são sabatinados e aprovados. A campanha
eleitoral no rádio e TV começa em 26 de agosto. Porém, nos bastidores, a
temperatura – que já era alta - aumentou no início do mês, com a abertura da
“janela partidária”, quando parlamentares em mandato podem trocar de partido. O
prazo se encerra em 1 de abril. E então tem início uma nova fase, ainda mais
intensa: em 5 de agosto se encerra o prazo para as convenções partidárias, onde
são apresentados os candidatos para a militância.
E, dez dias depois, se encerra o período para registro de
candidaturas. No atual cenário, pelo me[1]nos seis nomes
conhecidos da política paraense já despontam na corrida como “pré-candidatos”.
Todos disputam apoios fundamentais na esfera federal e estadual. Entre os
nomes, está do deputado federal Beto Faro, do Partido dos Trabalhadores (PT),
que busca substituir o colega de partido, Paulo Rocha. Beto Faro tem como
objetivo cruzar do tapete verde, do plenário da Câmara dos Deputados, onde está
no seu quinto mandato, para o carpete azul do Senado.
Sobre a disputa interna, Faro afirmou, em entrevista a O
Liberal, que o atual senador petista “é um amigo, além de parceiro da política,
um amigo meu pessoal”. “Independente se o Paulo vai ter um mandato eletivo no
próximo mandato, nós sabemos do compromisso que ele tem com o Estado e da luta
que ele vai estar fazendo ao nosso lado”, disse. Beto Faro enfatizou a escolha
dos 58 membros do diretório pela sua candidatura. “Quero ser senador, porque
não consigo ver o que Pará ganharia elegendo um senador para fazer oposição ao
presidente Lula, que se não está eleito, é o favorito para ganhar as eleições
no País”, aposta o atual presidente da sigla petista no Pará.
Sobre o tema, Paulo Rocha afirma que irá trabalhar pelo partido. “O PT no Pará já definiu e me submeto à decisão do partido. Sou líder de bancada e vou cumprir meu mandato, seremos ‘moinho de vento’ na candidatura de Lula. Não serei candidato à deputado, cumpro sempre o que é bom para o partido, bom para o Brasil”, esclareceu o senador Paulo Rocha sobre o seu futuro político.
● MULHER Outro nome na disputa será da jornalista Ursula
Vidal, filiada ao partido Rede Sustentabilidade e atual secretária de Cultura
do Governo do Estado, pasta que assumiu em 2019, convidada pelo governador
Helder Barbalho. Até o momento, é a única mulher pré-candidata, o que pode ser
um diferencial por conta da representatividade. Ursula carrega ainda na bagagem
resultados expressivos nas últimas disputas em que esteve presente: Em 2018,
testou o nome na disputa também ao Senado, obtendo mais de 585 mil votos, mesmo
com pouco tempo de televisão e uma campanha avaliada como modesta financeiramente.
Dois anos antes, ficou na quarta colocação na disputa à Prefeitura de Belém, com quase 80 mil votos e 10% do eleitorado, superando outros cinco nomes que estavam na corrida, vencida no segundo turno por Edmilson Rodrigues, do Psol. “Minha pré-candidatura se apresenta como um movimento político que arregimenta pautas estratégicas, as falas de outras mulheres que estão nesta construção, mas também traz uma energia que nos vitaliza vinda da juventude, que tem oxigenado a luta social com sua dinâmica incrivelmente inovadora nas periferias, na cultura e na agenda ambiental”, afirma Úrsula.
●
EX-SENADORES - Também estarão na disputa dois ex-senadores, que chegaram a ser
colegas de partido e sentaram lado a lado no Senado: Flexa Ribeiro e Mário
Couto. Para reafirmar a pré-candidatura de retorno ao Senado, Flexa Ribeiro
deve anunciar nos próximos dias a saída do PSDB e filiação ao Podemos, partido
do pré-candidato à presidência Sérgio Moro.
Flexa assumiu uma vaga em 2005 como suplente. Em 2010,
venceu a corrida ao Senado, ocupando a cadeira até 2018, quando disputou a
reeleição. Acabou ficando em terceiro, na disputa em que estavam disponíveis
duas vagas. Agora, busca o retorno e tem como trunfo justamente o período em
que esteve no mandato. “Nunca paramos de trabalhar nesse tempo. Continuei
nossos contatos em Brasília, levando questões importantes, seguimos atentos.
Uma série de propostas que apresentamos e defendemos avançaram e temos uma
história de trabalho para retomar e renovar, com ainda mais força.
No Senado, experiência e bom trânsito conta muito e por
isso defendemos nossa pré-candidatura”, destaca. Em outro lado na disputa
deverá estar seu ex-colega de plenário e de partido, o também ex-senador Mário
Couto. Recém-filiado ao Partido Liberal (PL), busca retornar à Câmara Alta após
oito anos. “Sou pré-candidato na chapa Zequinha Marinho e Jair Bolsonaro, e
acredito que com o Zequinha ao lado aumenta nossa chance, por conhecer o sul e
sudeste do Pará e tem o apoio do governo federal, além da igreja evangélica”,
avaliou Couto. Pelo PSDB, quem deve disputar a vaga é Manoel Pioneiro.
O pré-candidato tucano foi deputado estadual por quatro
mandatos, chegando a ser presidente da Alepa. Tem base em Ananindeua, onde foi
prefeito por também quatro mandatos (1996 a 2004 e de 2012 a 2020), apoiando a
eleição para seu sucessor, o atual prefeito Daniel Santos. O pré-candidato
ainda evita tratar do assunto publicamente, por conta das disputas internas por
apoios, mas é visto em reuniões e eventos de prefeituras pelo interior do
estado com frequência.
● OESTE - Ainda pouco conhecido do grande público, vem do Oeste do Estado um outro nome: o vereador por Santarém Aguinaldo Promissória, até então do PSL, entra na disputa com as demandas da Região do Tapajós. A pré-candidatura dele será lançada dentro de 15 dias, garantiu o deputado estadual Hilton Aguiar, que está deixando o DEM e se filiando ao Avante, e deve assumir o controle do partido no Pará. (Fonte: O Liberal)
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