Em uma entrevista na noite de terça-feira (15) ao Fox
Noticias, programa em espanhol do canal conservador, o republicano sugeriu que
pode criar um caminho para que empregadores consigam trazer de volta imigrantes
que se autodeportarem.
“Eu também estou facilitando para fazendeiros e hotéis e
tudo o mais, porque você tem muitos fazendeiros que não vão conseguir, você
sabe, fazer suas produção e colher o milho e todas as coisas que eles fazem
incrivelmente bem”, disse, em referência à saída de imigrantes.
O presidente disse que vai lançar um programa de autodeportação
em que imigrantes receberão dinheiro e uma passagem de avião para saírem dos
EUA voluntariamente. Uma vez de volta ao seu país, poderão pleitear um retorno
legal.
“Vamos ser muito compreensivos em termos de talvez deixar
esse fazendeiro, você sabe, ele é meio que responsável, e nós vamos fazer com
que esse fazendeiro assuma a responsabilidade”, prosseguiu, em uma fala
confusa. “No limite, em algum momento, nós queremos que as pessoas saiam e
voltem legalmente.”
Em uma reunião de gabinete na semana passada, ele sugeriu
estar aberto a abrir uma possibilidade do tipo. Segundo a imprensa americana, a
Casa Branca vem sendo pressionada por lobbies empresariais preocupados com a
falta de trabalhadores. No mês passado, o grupo Coalização de Imigração de
Empresas Americanas, que diz representar mais de 300 lideranças empresariais,
fez uma série de reuniões em Washington com congressistas e membros do governo.
Economistas apontam que a rígida política migratória do
atual governo vai limitar a oferta de trabalho no país –estrangeiros são seu
motor de expansão– e diminuir a demanda por produtos e serviços.
“Não há substituto para imigrantes no setor imobiliário
americano”, afirmou o economista Adam Posen, presidente do Instituto Peterson
de Economia Internacional (PIIE, na sigla em inglês), em um evento também na
terça. “Cerca de 50% dos empregados em pequenas empresas familiares de
construção são imigrantes, a maioria indocumentados.”
Segundo dados do Pew Research Center, estrangeiros em
situação irregular eram 4,8% da força de trabalho dos EUA em 2022, ou 8,3
milhões de pessoas.
Esse número, porém, é muito maior na construção civil
(13,7%), agricultura (12,7%) e hospitalidade, como hotéis e restaurantes
(7,1%), aponta levantamento feito pelo Conselho de Imigração Americano, uma
organização pró-imigrantes.
Mas mesmo entidades conservadoras, como o American
Enterprise Institute, levantaram ressalvas sobre o plano de deportações de
Trump.
Fazendo a ressalva de que reduzir a disponibilidade de
mão de obra imigrante “vai eventualmente levar a inovações tecnológicas que
melhoram a eficiência”, um estudo publicado pela entidade na terça aponta que
os efeitos imediatos serão queda na produção doméstica, maior nivel de
importações, menos variedade para os consumidores e elevação dos preços de
alimentos.
“Uma intensificação rápida das ações de fiscalização da
imigração pode levar muitas fazendas à falência, caso não consigam se adaptar
com rapidez suficiente”, aponta o relatório. “O setor agrícola dos EUA é
inovador e resiliente, mas mudanças drásticas na oferta de mão de obra
imigrante provavelmente terão consequências não intencionais.”
Para o Goldman Sachs, a falta de imigrantes “pode ser
extremamente disruptiva” para setores como produção agrícola, processamento de
alimentos e construção civil. Em análise publicada no final de fevereiro. Antes
mesmo do anúncio das tarifas, a instituição apontava a possibilidade de
“gargalos temporários na produção, escassez e aumentos de preços”.
(Fonte: Fernanda Perrin/Folhapress)

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