O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), concedeu prisão domiciliar ao ex-deputado
federal Roberto Jefferson.
Aos 71 anos, Jefferson está preso em regime
fechado deste outubro de 2022. Porém, desde junho de 2023,
encontrava-se no Hospital Samaritano Botafogo, no Rio de Janeiro, devido
a problemas de saúde.
Na sexta-feira (9), a Procuradoria-Geral da República
(PGR) havia se manifestado favoravelmente
à prisão domiciliar humanitária a Jefferson, pedida pela defesa.
O parecer da PGR baseou-se em relatórios
médicos enviados pelo hospital, que descrevem um quadro clínico de crises
convulsivas, desnutrição calórico-proteica, possível foco de infecção em
cavidade oral e síndrome depressiva grave.
Além disso, os documentos apontam um histórico de uma
série de tipos de câncer: no pâncreas, tireoide e cólon; além de diabetes.
A prisão domiciliar foi concedida por Moraes com a
condição de que Jefferson cumpra as seguintes medidas restritivas:
● Uso de tornozeleira eletrônica, a ser instalada
assim que deixar o hospital
● Suspensão de passaporte e proibição de
emissão de novo documento
● Proibição de se ausentar do país
● Proibição de utilizar redes sociais, inclusive por
meio de terceiros
● Proibição de conceder entrevistas e veículos
jornalísticos, salvo se for autorizado pelo STF
● Proibição de receber visitas, salvo de advogados e
de pessoas autorizadas pelo STF
Em casa
Jefferson também tem que cumprir a pena em regime
domiciliar exclusivamente em residência em Comendador Levy Gasparian, município
com menos de 10 mil habitantes no interior do Rio de Janeiro, a 160 km da
capital, definiu Moraes.
“O descumprimento da prisão domiciliar humanitária ou de
qualquer uma das medidas alternativas implicará na reconversão da domiciliar
humanitária em prisão dentro de estabelecimento prisional”, alertou o ministro
relator do caso.
Foi em Levy Gasparian que, em outubro 2022, Jefferson
atirou com um fuzil contra
viaturas e agentes da Polícia Federal (PF) que cumpriam o mandado que
o levaria de volta à cadeia.
Jefferson havia sido preso
preventivamente em agosto de 2021, por ordem de Moraes, por ataques aos
Poderes e ao processo eleitoral por meio de entrevistas e publicações nas redes
sociais, inclusive com exibição de armas e incitação a ataques a parlamentares.
O ex-deputado foi, então, encaminhado ao Complexo
Prisional de Gericinó, em Bangu. Em janeiro de 2022, após a defesa apresentar
um relatório sobre a saúde de Jefferson, ele acabaria sendo encaminhado ao regime
domiciliar.
Roberto Jefferson, porém, voltou
ao regime fechado após gravar um vídeo
com ofensas à ministra Cármen Lúcia, do STF. O vídeo foi publicado no
perfil da também ex-deputada federal Cristiane Brasil, sua filha — o que
descumpriria a medida restritiva de não utilizar redes sociais.
● PROCESSOS - No final do ano passado, o plenário do
Supremo terminaria por condenar Roberto Jefferson a nove anos, um mês e cinco
dias de prisão por atentado
ao exercício dos Poderes. Devido ao ataque a policiais, Jefferson também é
réu em um processo na Justiça Federal. Em abril, porém, o Tribunal Regional
Federal da 2ª Região (TRF-2) já
havia lhe concedido o regime domiciliar — que ainda não podia ser
cumprido devido ao processo no STF. (Fonte: Henrique
Sales Barrosda CNN , São Paulo)

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