● ENTENDA
COMO SERÁ O TESTE QUE VAI SER REALIZADO PELA PETROBRAS NA BACIA DA FOZ DO
AMAZONAS – Com a promessa de empregar “a maior estrutura de emergência” já
vista no setor de petróleo, a Petrobras tentará nesta semana convencer o Ibama
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) de que
pode explorar a costa amazônica em segurança.
Eventual sucesso do simulado da perfuração do poço no
bloco FZA-M-59, na bacia Foz do Amazonas, destravaria não só um processo de
licenciamento ambiental que já dura anos, mas pode também abriria a porta para
uma corrida por reservas de petróleo na região.
A data exata do começo do teste ainda não foi informada.
O órgão ambiental afirma apenas que ocorrerá nesta próxima semana.
A abertura de uma nova fronteira petrolífera na margem
equatorial brasileira é questionada por organizações ambientalistas diante da
necessidade de reduzir fontes de emissão de gases do efeito estufa.
E defendida pelo governo sob argumentos econômicos, tanto
do ponto de vista de impacto no desenvolvimento local quanto da importância da
indústria do petróleo para as contas públicas do país.
O Ibama explica que a APO (avaliação pré-operacional),
como o teste é chamado, vai simular um cenário de vazamento de petróleo, com o
objetivo de avaliar a eficiência do plano de emergência proposto pela
Petrobras.
Esse plano definiu a estrutura de resposta, com
procedimentos de contenção e recolhimento de óleo e de proteção e atendimento a
animais atingidos por possível vazamento.
A Petrobras tem dito que a estrutura de emergência
proposta é inédita na indústria. São seis embarcações especializadas em
contenção e recolhimento de óleo e seis dedicadas para atendimento à fauna. Ao
todo, 400 pessoas serão mobilizadas.
A Petrobras diz que terá ainda três aeronaves para
resgate aeromédico e de fauna. A empresa investiu ainda em dois centros de atendimento
a animais em Belém e em Oiapoque (AP) —este último por exigência do Ibama, que
considerava Belém muito distante do poço, na costa do Amapá.
A estatal afirma ainda que o navio-sonda contratado para
perfurar o poço, chamado NS-42, “possui tecnologia de ponta, equipamentos
robustos e de alta confiabilidade, projetados para operar com segurança em
profundidades d’água de até 3.000 metros”.
Conta também com dois robôs submarinos para operações no
fundo do mar e sistemas específicos para medição de condições como vento e
correntes marítimas. A embarcação chegou esta semana ao local do poço.
“A operação fará uso intensivo de tecnologias com foco na
segurança operacional, por exemplo sistemas que ajustam com precisão as
pressões dentro do poço, possibilitando uma operação bem controlada, eficiente
e ambientalmente segura”, afirmou a petroleira.
Localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá, o poço
batizado de Morhpo será perfurado em uma lâmina d’água de 2.800 metros, se
tornando um dos poços em águas mais profundas do país —a Petrobras já perfurou
a pouco menos de 3.000 metros na bacia Sergipe-Alagoas.
O poço Morpho, porém, é o primeiro em águas
ultraprofundas na bacia Foz do Amazonas, que tem correntes marítimas e
condições climáticas diferentes da costa do Atlântico, onde estão hoje as
principais reservas de petróleo brasileiras.
A preocupação é intensificada pela elevada sensibilidade
ambiental da região, cuja costa tem manguezais considerados de grande
importância tanto para a biodiversidade quanto pelo seu potencial de retenção
de carbono.
A Petrobras espera obter a licença ambiental para o poço
logo após o simulado, que deve durar de três a quatro dias.
O Ibama, porém, indica que a análise ainda leva tempo.
“Após o encerramento da APO, haverá a desmobilização da equipe do Ibama, que
iniciará os trabalhos de análise dos resultados dos diversos postos de
observação”, disse.
“Considerando o elevado número de avaliadores, bem como
os diversos itens a serem avaliados, não é possível precisar o tempo e conclusão
do relatório”, concluiu o órgão ambiental. (Fonte: Nicola Pamplona/Folhapress)

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