●“QUEM QUISER SABER DE MIM, DE ONDE VENHO PRA ONDE VOU, TEM
QUE PRIMEIRO APRENDER O QUE O RIO ME ENSINOU” – Possuído pelo espírito dos versos
do cancioneiro amazonista, poeta maior, Eduardo Dias, quero relatar a experiência única de
ter visto um dia, durante toda a minha existência neste planeta, irmãos
terráqueos dos seis continentes: África, América, Antártida, Ásia, Europa e
Oceania, todos marchando, clamando pela salvação da nossa nave mãe Terra, que
está doente, agonizando pela ganância, ambição e avareza de grandes e ambiciosos suicidas
– Sou um caboclo ribeirinho, amazônico de pouco saber, nascido e criado na ilharga do rio Trombetas, muito do que entendo das
coisas do meu universo, foi o rio que me ensinou, e de uma coisa tenho certeza
hoje, o rio está sinalizando que nada vai bem no nosso habitar – Ao participar da Marcha Mundial pelo Clima
da COP30 de Belém, me deparei com os povos da terra reclamando das mesmas
coisas que me afligem, o clima está louco e o calor está delirante, adoecendo
os rios, furos, igapós e igarapés – Na última seca amazônica, os pássaros
voaram pra longe, os peixes boiavam sem vida, a noite ficou sem rumo, não se
via a estrela guia, a lua sumia do céu nas madrugadas sinistras e o rádio em cima
da mesa, chiando dava a notícia: a Amazônia está queimando, o planeta está aquecendo,
as geleiras do polo Norte, estão todas derretendo – Um índio Wai Wai, um negro
do Água Fria, um caboclo do Cachoeiry acordaram um certo dia, o rio virou um igarapé,
o sol a fumaça escondia, a mata seca sem vento, o olho espiando ardia... Então
me botei de pés, parado apenas espiando a multidão dos povos da terra, carregando
bandeiras, gritando palavras de ordem, e clamando para que os poderosos deste
mundo capitalista sem alma, parem de poluir a nossa santa casa Terra Mãe... Veja
todos os detalhes da Marcha Mundial pelo Clima, com imagens exclusivas do
jornalista Álvaro Vinente aqui ▼
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