● MANIÇOBA E FILHOTE: CHEF CONTA OS DESTAQUES E OS BASTIDORES DO CARDÁPIO DA COP 30 EM BELÉM - O Fantástico conversou com o chef paraense Saulo Jennings, que comanda uma equipe de mais de 200 pessoas para servir pratos tradicionais da culinária amazônica a líderes mundiais. A missão de escolher os pratos e alimentar cerca de 1.700 convidados da COP 30, realizada em Belém, é do chef paraense Saulo Jennings, conhecido por valorizar ingredientes amazônicos. Para o evento, ele comanda uma equipe de mais de 200 profissionais.
“Eu brinco que cozinhar, eu até posso saber pouco. Mas eu
sei muito sobre os ingredientes que eu uso”, contou.
A equipe do Fantástico visitou a cozinha e conversou com
o chef para saber todos os bastidores do cardápio da COP30.
Para o almoço das autoridades, Saulo decidiu manter a
tradição. O prato principal é a maniçoba. A receita tradicional, feita com
maniva cozida por sete dias e acompanhada de carnes de porco, divide espaço com
o peixe filhote, outro destaque do cardápio.
“A estrela mesmo do dia é um prato que às vezes tem até
um pouco de polêmica ou de críticas, que seria um prato 'muito feio"',
conta.
Saulo explica que, para o preparo, deve-se triturar a
folha da mandioca-brava, chamada de maniva. Depois, deve ser hidratada e cozida
por sete dias, para receber as proteínas. Entram charque, bacon, panceta,
calabresa e toucinho. “É como se fosse uma feijoada”, explica.
Os ingredientes vêm do Mercado Ver-o-Peso. Ali, Saulo
escolhe pescados, frutas e ervas. É, também, onde compra o filhote, peixe mais
presente em sua cozinha.
A ligação com o ingrediente chegou a gerar polêmica com
um visitante ilustre durante a conferência. Havia uma proposta para que Saulo
preparasse um jantar totalmente vegano para um príncipe. Ele recusou: “Mas eu
não cozinho também para ninguém se for sem peixe”.
E explicou o motivo: “Porque eu acho que o peixe é meu
propósito hoje. Porque muitas pessoas vivem desse peixe. Só do nosso
restaurante são mil famílias que fazem manejo sustentável”.
Antes de se tornar chef, Saulo viveu outra realidade. Ao
ficar desempregado, começou a dar aulas de kitesurf no Tapajós. “Velejar no
Tapajós, na Amazônia, é incrível, né?”, disse. No fim das aulas, servia um
lanche para os alunos. “E aí com o tempo percebi que eles gostaram mais da
comida do que da aula de kite”. O boca a boca consolidou o início da carreira.
Nascido e criado às margens do rio, ele relembra a
infância: “A gente aprendeu que tudo que era bom vinha do rio”.
E com esse mesmo pensamento, Saulo não se intimida ao
servir um prato regional a lideranças internacionais. “Isso é alta gastronomia.
Isso é gastronomia internacional. Isso é cultura alimentar”. E, nos bastidores
da COP, as panelas foram aprovadas. Quem provou, raspou o prato.
A comitiva brasileira vê a culinária como parte da imagem
do país. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, reforçou: “Eu sempre falei,
né, que eu acho que a comida brasileira tinha que realmente chegar a um nível
de ser uma comida gastrodiplomática”. Para ele, é pela comida que muitas
pessoas lembram um país. (Fonte: Fantástico)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Fique a vontade para comentar o que quiser, apenas com coerência e sem ataques pessoais.