● FAMEP QUER A INCLUSÃO DOS MUNICÍPIOS NOS MECANISMOS DE FINANCIAMENTO AMBIENTAL – Durante a #COP30, em Belém, o Presidente da FAMEP Nélio Aguiar entregou uma Carta Aberta às Lideranças Globais, reforçando um recado essencial: não existe transição climática justa sem os municípios.
Na Presidência da COP30, o presidente Nélio Aguiar foi recebido pelo chefe de gabinete, Nicola Speranza, que recebeu oficialmente a Carta da Famep, o documento representa a voz dos 144 prefeitos e prefeitas do Pará, defendendo que as cidades amazônicas sejam reconhecidas como agentes centrais da ação climática, onde os impactos acontecem e onde a transformação precisa começar.
A carta propõe 10 ações estruturantes para uma transição efetiva e descentralizada, com foco no fortalecimento das secretarias municipais de meio ambiente, no estímulo à bioeconomia, na energia limpa e no fim dos lixões a céu aberto.
“Promessas geram esperança; projetos produzem resultados”, destacou Nélio Aguiar.
● CARTA ABERTA ÀS LIDERANÇAS GLOBAIS – COP 30
Senhoras e Senhores Líderes Globais,
A Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (FAMEP),
representando os prefeitos e prefeitas dos 144 municípios paraenses, vem, por
meio desta carta, manifestar sua preocupação e posicionamento diante do cenário
atual das políticas de enfrentamento à crise climática e de promoção da
sustentabilidade.
Os municípios estão sendo deixados de fora dos mecanismos de fomento e
financiamento ambiental. Os recursos e programas voltados à mitigação e
adaptação às mudanças climáticas têm sido direcionados, majoritariamente, a
organizações não governamentais, governos federal e estadual. Contudo, é nos
municípios — nas comunidades, nos bairros, nas zonas rurais e ribeirinhas — que
os impactos ambientais se materializam e onde a transformação efetiva precisa
acontecer.
Não existe transição climática justa e verdadeira sem os
municípios. São eles que enfrentam, cotidianamente, os desafios da gestão de
resíduos sólidos, do saneamento básico, da preservação de nascentes e igarapés,
da prevenção às queimadas e incêndios florestais, e da busca por soluções
sustentáveis para a produção agrícola familiar.
Chegou o momento de menos discursos e mais ações concretas. Não queremos
promessas — queremos projetos. Promessas geram esperança; projetos produzem
resultados.
Defendemos o fortalecimento das estruturas municipais para que as políticas
ambientais sejam efetivas e permanentes. É preciso:
1 - Apoiar a estruturação e modernização das Secretarias Municipais de Meio
Ambiente, com capacitação técnica, recursos e tecnologia para atuar na
fiscalização e licenciamento ambiental. O IBAMA e o ICMBio, por si só, não
conseguem atender a um território da dimensão amazônica — é necessária
articulação intergovernamental e descentralização da execução ambiental.
2 - Apoiar as Secretarias Municipais de Planejamento na elaboração e execução
de Planos Municipais de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, com base em
diagnósticos locais e integração às metas globais de descarbonização.
3 - Investir na transição energética municipal, com substituição gradativa de
ônibus e transportes urbanos e escolares movidos a combustão por veículos
elétricos, bem como a implantação de 100% de iluminação pública com lâmpadas de
LED.
4 - Financiar projetos de energias limpas nas comunidades
rurais e tradicionais, com migração dos motores a combustão e geradores para
sistemas solares fotovoltaicos, instalação de microssistemas de abastecimento
de água com bombas solares e implantação de placas solares em áreas
comunitárias e prédios públicos.
5 - Estimular e financiar ações de reflorestamento, recuperação de matas
ciliares e preservação de nascentes nas zonas urbana e rural.
6 - Apoiar a mecanização da agricultura familiar, com acompanhamento técnico
especializado, para eliminar as queimadas de roçados e promover transição
agroecológica.
7 - Financiar projetos municipais de mobilidade urbana sustentável, como
ciclovias e áreas verdes, parques e complexos ecológicos municipais, capazes de
melhorar a qualidade de vida, reduzir temperaturas urbanas e ampliar o contato
da população com o meio ambiente.
8 - Apoiar o fim dos lixões a céu aberto, promovendo a implantação de aterros
sanitários regionalizados e consorciados, com tecnologias adequadas à realidade
amazônica. É urgente garantir financiamento e equipamentos para a transformação
dos resíduos sólidos em energia limpa, por meio de usinas de biogás,
biodigestores e processos de reaproveitamento energético. Os municípios
precisam de acesso a tecnologias sustentáveis de gestão de resíduos, capazes de
reduzir emissões de carbono, gerar empregos verdes e promover inclusão social
por meio da valorização dos catadores e cooperativas locais. O encerramento dos
lixões não é apenas uma meta ambiental — é uma questão de dignidade humana e de
saúde pública.
9 - Fomentar a geração de empregos verdes como estratégia de desenvolvimento
sustentável, com capacitação da mão de obra local, apoio a cooperativas,
startups e empreendimentos de base ecológica, e incentivo à economia circular e
ao reaproveitamento de resíduos. Cada iniciativa ambiental deve também ser um
vetor de trabalho e renda, criando oportunidades reais para os jovens e as
famílias que vivem na Amazônia.
10 - Fortalecer a bioeconomia amazônica, baseada na valorização dos recursos
naturais de forma sustentável, com o apoio à pesquisa, inovação, cadeias
produtivas da sociobiodiversidade e biotecnologia, integrando comunidades
tradicionais, agricultores familiares e produtores locais. A bioeconomia é o
caminho para conciliar conservação e desenvolvimento, assegurando renda digna,
geração de empregos verdes e manutenção das florestas em pé. É imprescindível
que os municípios paraenses tenham acesso direto a fundos internacionais e
parcerias que viabilizem laboratórios, centros de inovação e incubadoras de
negócios sustentáveis, transformando potencial em prosperidade local.
Defendemos que todas essas ações tenham como foco central as pessoas — a
melhoria da qualidade de vida da população urbana e rural, das comunidades
ribeirinhas e dos povos tradicionais, que há séculos vivem e cuidam da
Amazônia.
Os prefeitos e prefeitas do Pará estão comprometidos com a agenda climática.
Estamos dispostos a trabalhar, inovar e transformar. O que precisamos é de
fortalecimento institucional e de oportunidades reais de cooperação
internacional, com acesso direto aos financiamentos, programas e parcerias
globais, de modo que as soluções cheguem a quem executa e faz a diferença na
ponta.
Reiteramos: não há combate às mudanças climáticas sem o
protagonismo municipal. A Amazônia se transforma a partir dos seus territórios
locais, e cada decisão global deve se traduzir em instrumentos concretos que
fortaleçam os governos municipais, verdadeiros guardiões da sustentabilidade.
Confiamos que a COP 30 será o marco de um novo tempo — um tempo de alianças
reais, cooperação efetiva e projetos que gerem resultados duradouros.
Em nome dos municípios do Pará, pedimos voz, espaço e reconhecimento.
Estamos prontos para construir soluções, mas exigimos estar dentro da mesa de
decisões, e não apenas como ouvintes, mas como protagonistas. (Fonte: FAMEP)

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