● GILMAR REJEITA PEDIDO DA AGU DE MESSIAS PARA MUDAR
DECISÃO QUE BLINDA O STF PARA IMPEACHMENT - O ministro Gilmar Mendes rejeitou
nesta quinta-feira (4) o pedido da AGU (Advocacia-Geral da União), comandada
por Jorge Messias, para reconsiderar a sua decisão que ajuda a blindar
integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) contra a abertura de processos de
impeachment.
Em sua decisão, o decano do Supremo afirmou que o pedido
da AGU é incabível porque o ordenamento jurídico não contempla esse tipo de
recurso e que os motivos para a concessão da decisão liminar (provisória)
continuam presentes.
"A medida cautelar deferida, além de encontrar fiel
amparo na Constituição Federal, mostra-se indispensável para fazer cessar um
estado de coisas manifestamente incompatível com o texto constitucional.
Inexistem, portanto, razões para alteração dos termos da decisão", afirmou
Gilmar em sua decisão.
Em 20 de novembro, Messias foi indicado pelo presidente
Lula (PT) para ocupar a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no STF. O nome
dele tem que ser aprovado, mas seu nome sofre resistência do presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A decisão de Gilmar de terça-feira (3) gerou reação
imediata no Senado. Em nota, Alcolumbre cobrou respeito do tribunal e falou em
mudar a Constituição para defender as prerrogativas da Casa se preciso.
O episódio se somou à série de atritos entre os Poderes
que marca a reta final dos trabalhos do Legislativo em 2025, às vésperas do ano
eleitoral.
Nos últimos anos, partidos têm discutido a possibilidade
de formar a partir das eleições de 2026 uma composição no Senado que permita o
impeachment de ministros do STF. Os principais defensores são aliados do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso no processo da trama
golpista.
A Lei do Impeachment é de 1950, e Gilmar considerou
incompatível com a Constituição, por exemplo, um artigo que permite a qualquer
cidadão apresentar denúncia para abertura de impeachment contra magistrados do
Supremo. A condução do processo cabe ao Senado.
Segundo o ministro, essa atribuição é apenas do chefe da
PGR (Procuradoria-Geral da República), atualmente a cargo de Paulo Gonet.
O processo prosseguiria tramitando no Senado, mas Gilmar
decidiu que será necessária maior proporção de senadores para a abertura dele.
O ministro do STF disse que a regra da Lei do Impeachment
estimula denúncias motivadas por interesses político-partidários, sem rigor e
baseadas em discordâncias políticas ou divergências interpretativas das
decisões do tribunal."
O chefe do Ministério Público da União, na condição de
fiscal (CF, art. 127, caput) da ordem jurídica, possui capacidade para avaliar,
sob a perspectiva estritamente jurídica, a existência de elementos concretos
que justifiquem o início de um procedimento de impeachment", afirmou
Gilmar.
Em outubro, a oposição no Congresso Nacional apresentou
dois pedidos de impeachment contra ministros do STF, um atingindo Flávio Dino e
outro Alexandre de Moraes.
A decisão de Gilmar será levada ao plenário do STF em
sessão virtual agendada para começar no próximo dia 12 e se encerrar no dia 19.
(Fonte: José Marques/Folhapress)

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