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GOVERNO LULA REDUZIU NÚMERO DE HORAS-AULA DE 20 PARA 2 E PERMITIU ENSINO FORA
DAS AUTOESCOLAS – A Câmara dos Deputados instalou uma comissão para reverter
parte das mudanças adotadas pelo governo Lula (PT) para diminuir os custos de
obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), com a redução da quantidade
de aulas e criação da profissão de instrutor autônomo credenciado, desvinculado
das autoescolas.
O movimento é liderado pelas autoescolas, que perderam
receita com as mudanças, e conta com apoio da CNC (Confederação Nacional do
Comércio e Serviços) e de parlamentares. Eles argumentam que estão em risco
mais de 15 mil empresas do setor, com 300 mil empregos vinculados, e que o
trânsito ficará mais inseguro com a redução de aulas para os novos condutores.
O relator da comissão, deputado Áureo Ribeiro
(Solidariedade-RJ), afirmou à reportagem que parte das alterações feitas pelo
governo é meritória, para diminuir a burocracia e os custos para os
brasileiros, e que o debate será técnico. "Foi uma medida boa. Mas precisa
dar segurança para quem vai estar nas ruas. Vamos debater muito para chegar num
ponto de equilíbrio, garantir um exame rigoroso", disse.
Um dos pontos que ele questiona é o fim do exame de
baliza e de rampa durante as provas. O relator antecipou que também pretende
colocar em discussão uma proposta para reduzir a idade mínima para dirigir, de
18 anos para 16 anos. "Se pode votar com 16 anos, por que não pode
dirigir?", questiona. Segundo ele, serão debatidas regras para isso, como
estar acompanhado de um adulto.
Um dos possíveis entraves a essa alteração é que a
Constituição estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ou
seja, não responderiam criminalmente por atos como dirigir após ingerir bebida
alcoólica ou se atropelarem alguém.
O plano de trabalho será apresentado nesta quarta (11) à
comissão, com previsão de divulgar o parecer em 45 dias, antes da eleição. O
colegiado foi criado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB),
após pedidos de deputados próximos de proprietários de autoescolas.
A intenção, de acordo com deputados governistas, é buscar
alternativas para a manutenção dos empregos e empresas do setor. Ainda não
existiria uma fórmula definida para isso.
Uma das alternativas, proposta pelo deputado Zé Neto
(PT-BA), é que as autoescolas recebam parte da arrecadação do governo com
multas, para oferta de CNHs para pessoas de baixa renda, inscritas no CadÚnico
da União –o cadastro usado para os programas sociais. Uma medida com este
objetivo já foi aprovada pelo Congresso ano passado, da CNH Social.
Diretora de Relações Institucionais da CNC, Nara de Deus
Vieira foi convidada a falar já na abertura da comissão. "A gente não sabe
ainda precisar, em cada estado, quantas demissões ocorreram. Temos que entender
que a segurança das empresas, dos empregos, é fundamental para o país. Através
da aprovação deste projeto também a gente vai ter esta resposta", disse.
Na reunião de instalação, o tom foi de críticas ao
governo. Representantes de autoescolas foram convidados a discursar. "Essa
Casa não vai se abaixar para o os desmandes de um ministro que quer resolver
tudo numa canetada", afirmou Iomara Pinheiro, apresentada como
representante de autoescolas de Santa Catarina.
O deputado Fausto Pinato (PP-SP) foi na mesma linha e
criticou que o Congresso ficou alijado das discussões sobre a mudança na
formação dos condutores. "A cada dia vamos perdendo poder neste país.
Temos 513 deputados, 81 senadores, e pasmem, quem legisla sobre trânsito é o
Contran, que nem sei quem que é e que muda de dois em dois anos a sua
composição", afirmou.
O presidente da comissão, deputado coronel Meira (PL-PE),
orientou os representantes das autoescolas a lotarem os plenários durante as
audiências públicas, para pressionar os parlamentares. "O nosso inimigo é
exatamente o ministro Renan [Filho, dos Transportes]", disse. Ele sugeriu
uma legislação sobre educação no trânsito e criticou os desempregos no setor
causados pelas mudanças.
Apesar de fazer parte da base do governo, o deputado
Leônidas Cristino (PDT-CE) disse que o governo errou e que é preciso garantir
mais segurança no trânsito, com maior qualificação dos condutores. "Como é
que você vai melhorar a educação fechando a escola?", questionou o
pedetista.
"Nós temos que baratear a carteira. A carteira é
cara, não dá para aceitar esse preço. Mas nós não podemos é desqualificar o
condutor, entregar o carro nas mãos de um condutor desinformado, desqualificado
ou que não tem a formação, a qualificação fundamental e necessária", disse
o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que também faz parte da base do governo.
De acordo com integrantes da comissão, um dos debates nos
bastidores é impor restrições aos instrutores autônomos, que vão disputar
mercado com as autoescolas. Uma das emendas apresentadas quer exigir o vínculo
a uma autoescola, e a liberação desta atividade apenas nas cidades onde não
existir uma autoescola credenciada pelo departamento de trânsito estadual.
Veja o que mudou
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Curso teórico gratuito e 100% digital, flexibilização de aulas práticas e
abertura para instrutores credenciados pelos Detrans;
● Renovação
automática e gratuita para quem não teve infrações no ano anterior
Aulas práticas com carga horária mínima de 2 horas. A
exigência de 20 horas-aula será eliminada;
● Candidato
poderá escolher entre autoescolas tradicionais, instrutores autônomos
credenciados pelos Detrans ou se preparar de forma personalizada, conforme
necessidades pessoais.
● Presença
passa a ser essencial somente nas etapas obrigatórias, como coleta biométrica e
exame médico. O restante poderá ser feito digitalmente. (Fonte: Por Raphael
Di Cunto/Folhapress)

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