● GOVERNO DE GOIÁS PAGOU R$ 200 MILHÕES A GRUPO INVESTIGADO POR LIGAÇÃO COM PCC – Empresas ligadas ao PCC eram fornecedoras de uma organização da área de saúde, contratada para gerir hospitais na gestão de Caiado em Goiás (Por Eduardo Militão)
A gestão do ex-governador de Goiás e pré-candidato ao
Planalto, Ronaldo
Caiado (PSD), destinou ao menos R$ 209 milhões a empresas que são ou
já foram controladas por um homem acusado de ligação com o Primeiro Comando da
Capital (PCC). Entre os anos de 2020 e 2025, o governo de Goiás pagou uma
organização social da área de saúde que tinha como fornecedoras as empresas de
Thiago Telles Batista de Souza, investigado por suspeita de atuar com o PCC.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo (PC-SP), Thiago
Telles é o “beneficiário final” de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC abastecido
por recursos provenientes do tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes contra
consumidores. Telles foi alvo de busca e apreensão em dezembro passado no
âmbito da Operação Falso Mercúrio. A operação teve
desdobramentos nesta quinta-feira (28/5), com a Falsa
Las Vegas.
Apelidado de “Tom Cruise”, em referência ao ator do filme
“Top Gun”, Thiago comprava grandes volumes de dinheiro em espécie com
intermediários da facção criminosa em período coincidente com seus contratos
públicos, segundo o inquérito e outros documentos levantados pela reportagem
do Metrópoles. Dessa forma, os valores poderiam circular fora do alcance
do Banco Central e do Coaf, órgão de inteligência financeira do governo.
Em Goiás, o dinheiro dos contratos públicos chegava às
empresas de Thiago por meio da intermediação da organização social (OS) de
saúde Instituto de Medicina e Estudos (Imed).
O governo de Goiás contrata o Imed, que, por sua vez,
terceiriza a gestão dos hospitais para outras empresas. Entre 2019 e 2025, a
organização recebeu R$ 1,4 bilhão do estado de Goiás, de acordo com registros
do portal da Transparência de Goiás.
Em nota ao Metrópoles, Caiado disse que autoridades
federais de controle deveriam ter informado a seu governo que
fornecedores das OS contratas pelo estado tinham ligação com narcotraficantes.
Procurada, a Secretaria de Saúde de Goiás disse à coluna
que “a contratação de fornecedores pelas organizações sociais é de
responsabilidade exclusiva da entidade gestora, não dependendo de autorização
prévia da secretaria”. As empresas citadas em relatório da polícia negaram
irregularidades (veja
o que eles disseram aqui).
A seleção do Imed ocorreu por meio de chamamento público,
modelo em que organizações sociais apresentam propostas e o governo escolhe a
considerada mais adequada.
A organização
social disse desconhecer as investigações policiais e afirmou que cada
contratação que faz “obedece a processo de seleção pública, previsto em
regulamento de compras aprovado pelos órgãos de controle”. “A relação do Imed
com empresas fornecedoras de serviços médico-hospitalares, bem como com as
pessoas mencionadas, sempre ocorreu estritamente no âmbito profissional.”
Com um discurso frequente de combate às facções
criminosas, Caiado fez elogios públicos ao Imed em diferentes ocasiões e
apareceu ao lado da advogada Maria Carolina Lazarini Dias — diretora jurídica
do Imed e sócia do escritório de advocacia que assina contratos pelo instituto
— em eventos oficiais e sociais.
“Agradeço a toda a minha equipe e, principalmente, à
administração do Imed, que, como organização social, veio com o objetivo de
mostrar que podíamos fazer bem e atender à população”, afirmou Caiado em maio
de 2021, durante visita ao Hospital de Formosa (GO), a 80 km de Brasília (DF),
administrado pela entidade. Presente no evento, Maria Carolina Lazarini disse
que o governador tinha “visão de futuro”.
Com os recursos recebidos, o Imed contratou empresas para administrar oito hospitais e unidades de saúde em Goiás. Dessas, firmas vinculadas a Thiago ganharam R$ 209 milhões, mais de 10% do valor total recebido pelo Imed do governo de Goiás.
Os dados públicos mostram que o dinheiro não só abasteceu
empresas do investigado por ligação com o PCC, como também uma firma em nome da
advogada Maria Caroline Lazarini, diretora do Imed... Leia todos os detalhes aqui

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