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‘LULINHA’, ‘FLÁVIO’, E OS NOMES USADOS COMO ARMAS POLÍTICAS – Do Flávio já
falamos. O nome do candidato do PL à presidência é Flávio Bolsonaro, embora
vira e mexe o filho de Jair seja chamado apenas pelo prenome nos títulos dos
jornais. Isso pode atender a limitações de espaço e evitar repetições
desnecessárias, mas identifica mal um candidato que só existe pelo sobrenome.
Mas quem ou o que é Lulinha? O filho do presidente Lula que apareceu na mira de
casos diferentes desde 2005 é Fábio Luis Lula da Silva. Frequentemente, os
jornais complementam a informação com um "conhecido como Lulinha",
mas agora a Folha esclarece que "pessoas próximas afirmam que o filho do
presidente nunca foi chamado de Lulinha por amigos e familiares". O aviso
estava no episódio de segunda-feira (3) do Café da Manhã, e depois foi levado a
texto. No podcast da Folha, a reportagem informava que o apelido veio do
próprio "noticiário e da oposição ao longo dos últimos anos". Ou
seja, parece que o personagem é "conhecido como Lulinha" por ter sido
tratado sempre como "conhecido como Lulinha", um pouco como a
entidade "Careca do INSS". "Existe o fato concreto de ele ser
filho do presidente da República e ter interesses comerciais que precisam ser
fiscalizados mesmo e o fato político de que, para quem é opositor do Lula, é um
nome muito bom de mobilizar perante a opinião pública, porque tem capacidade de
causar desgaste para o presidente e já tem uma carga negativa", explicou o
repórter Caio Spechoto no podcast. "Só que uma coisa que é importante
também é que ele nunca foi condenado. Isso também é algo que tem de ser levado
em consideração", afirmou o jornalista. Assim como a pretendida suavização
de Flávio sem Bolsonaro serve à estratégia eleitoral, a associação mais
imediata de eventuais peripécias e supostos crimes de Fábio Luis com seu pai
também serve como moeda política. Na Folha, "Lulinha" nasceu nessa
configuração em 2006. Antes disso, existia apenas o "Lulinha paz e
amor" encarnado pelo pai na campanha de 2002. Não que não houvesse
notícia: em 2005, o nome civil de Fábio Luis Lula da Silva apareceu em
"Telemar põe R$ 5 milhões em empresa do filho de Lula". A revista
Veja chegou a dar a história pouco depois, com o título "O Negocião de
Lulinha", mas o apelido não pegava entre os jornais, apesar da grande
mobilização em torno do aporte milionário da Telemar (que virou Oi). Com os
desdobramentos do mensalão e da CPI dos Correios, que tentou associar o negócio
do filho de Lula a prejuízo em fundos de pensão, a oposição adotou
"Lulinha", e o apelido virou regra. O sucesso foi tal que "Lulinha"
virou assunto de fake news: nas últimas eleições, o próprio jornal desmentiu
algumas delas. Como o podcast deixa claro, há óbvio interesse público nas
investigações sobre suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Mas daí não
decorre que um apelido usado como arma política deva ser encampado pelo jornal.
Se a justificativa para não abandoná-lo é a idade do "Lulinha", usado
desde 2006, seria razoável indicar de maneira mais clara e/ou frequente a
procedência do nome e os interesses associados a ele. O pior é que a observação
não é nova nem original. Em 2007, ex-ministro José Dirceu (PT) criticou o
jornal por isso. "Acho errado a Folha chamar ele de Lulinha. Ele não se
chama Lulinha. Ele se chama Fábio Luís. É mais uma tentativa de se agravar
aquilo que não precisa ser agravado." (por Alexandra Moraes, ombudsman da
Folha)

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