● A ELEIÇÃO MAIS IMPORTANTE DAS NOSSAS VIDAS - Vivemos o momento político mais decisivo desde a redemocratização. Não se trata de retórica eleitoral, mas de constatação factual diante do que está em jogo: a possibilidade concreta de consolidar um projeto democrático-popular ou mergulhar novamente no autoritarismo neofascista. A eleição que se aproxima não é apenas mais uma disputa eleitoral; é o combate sem quartel contra a corrupção e o retrocesso que definirá o futuro do Brasil.
O dilema que enfrentamos como progressistas é angustiante e complexo. De um lado, a urgência de garantir a vitória contra o bolsonarismo exige concessões táticas e alianças amplas. De outro, a necessidade de manter nossa identidade programática e responder às expectativas populares historicamente adiadas. Como equilibrar essas demandas contraditórias em um cenário de empate técnico e margem estreitíssima?
A campanha finalmente assumiu o sentido de máxima urgência que a situação exigia. As decisões de ampliar o Bolsa-Família, garantir acesso gratuito às canetas emagrecedoras pelo SUS e enfrentar a epidemia de endividamento pelas bets como questão de saúde pública vieram tardiamente, mas ainda em tempo de incidir na disputa. A defesa do legado do governo, especialmente diante da comparação inescapável com as calamidades da gestão Bolsonaro, era indispensável. Igualmente necessária foi a defesa da soberania nacional diante da interferência de Trump e da democracia frente ao perigo autoritário.
No entanto, a dinâmica da disputa exigia um reposicionamento emergencial. Esta eleição difere de 2022. O que não avança, recua. Propostas como a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas e o passe livre mereceriam consideração como compromissos para o quarto mandato. Não apenas têm audiência de massas, mas energizam a militância indispensável e respondem a expectativas adiadas por décadas, diferença crucial em uma eleição definida por margem dramaticamente estreita.
O episódio do STF revelou as tensões entre o jurídico e o político. O pedido de vistas de Dino representou um mal menor, ganhando tempo precioso. Evitou-se que as últimas semanas de campanha tivessem como pauta central a corrupção, tema que, paradoxalmente, favorece a extrema-direita, mesmo com as relações indecentes de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. A fração liberal da classe dominante, através da grande mídia comercial, pressiona por ajuste fiscal e sinaliza até a desvinculação do salário mínimo como piso da Previdência. Estão flertando com a catástrofe política e com a calamidade social que vivem os argentinos na atualidade.
A chantagem da Casa Branca tende a se intensificar. A interferência dos EUA, iniciada com o tarifaço, pode ser decisiva. Devemos estar conscientes disso.
Os dados do Datafolha revelam empate técnico: Lula 46% contra 44% de Flávio Bolsonaro, com rejeição de ambos em 47%. A aprovação do governo cresce; informação animadora. Lula mantém maioria entre os mais pobres (46% a 29%), que representam 49% do eleitorado; no Nordeste (56% a 26%); entre os menos instruídos (47% a 30%); e católicos (43% a 34%). Bolsonaro lidera entre remediados e classe média alta, no Sul, entre brancos e escolaridade média.
Há espaço significativo de disputa: 21% não fizeram escolha. A votação de Lula pode crescer entre trabalhadores, negros e mulheres, base historicamente mobilizável. A resposta ao medo deve ser a agitação da esperança de que dias melhores virão. Esta é a eleição mais importante de nossas vidas. Vencer exige unidade, mobilização e a coragem de propor transformações audazes que respondam aos anseios populares por justiça social e dignidade. (Por: Chico Cavalcante - é jornalista.)

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