MP PEDE CASSAÇÃO DE RENAN CALHEIROS, DIZ REVISTA
A Procuradoria da República em Brasília entrou, em
sigilo, com uma ação de improbidade administrativa contra o presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na ação, noticiada pela revista Época, os
procuradores pedem a perda do cargo e a cassação dos direitos políticos do
senador. Renan é acusado de usar indevidamente um jatinho da Força Aérea
Brasileira (FAB). O presidente do Senado usou o expediente em pelo menos duas
ocasiões: em 18 de dezembro de 2013, quando foi a Recife para um implante
capilar; e em 15 de junho de 2013, quando foi com a mulher para Porto Seguro
para o casamento da filha do atual ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga
(PMDB-AM). O uso de jatos da FAB só é liberado para autoridades em compromissos
oficiais ou para o transporte entre Brasília e o Estado natal, no caso Alagoas.
As irregularidades foram noticiadas pela imprensa e o senador devolveu aos
cofres públicos R$ 32 mil pelo voo ao Recife e R$ 27 mil pela viagem à Bahia.
Mas, segundo o Ministério Público, o ressarcimento é uma confissão de “uso
indevido de bem público”. “Apesar de ter ciência da ilegalidade do ato,
Calheiros, supondo que não seria descoberto ou, mesmo se descoberto, que não
sofreria as sanções legais devidas, não apresentou qualquer constrangimento em
continuar se utilizando de bem público federal de altíssimo valor para fins
pessoais”, diz o procurador Anselmo Lopes, autor da ação, citado pela revista.
Além das sanções políticas, o MP também quer que a FAB faça um controle mais
rigoroso do uso dos jatos e seja estabelecida uma multa de R$ 100 mil para
casos de voo irregular. A ação está parada desde junho do ano passado e cabe ao
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recorrer ou não da decisão da 17ª
Vara Federal de Brasília, que havia decidido que o caso era de competência do
Supremo Tribunal Federal. (Agência Estado)

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