PMS PROTESTAM CONTRA PROCESSO POR PARALISAÇÃO
Devem terminar na sexta-feira, dia 6 de fevereiro, as
tomadas de depoimento dos 41 policiais militares que respondem processo na
Justiça Militar por envolvimento na paralisação da categoria, ocorrida em abril
do ano passado no 6º Batalhão da PM, em Ananindeua, e motivada pelo envio de um
Projeto de Lei do Poder Executivo à Assembleia Legislativa em março de 2014
propondo reajuste salarial escalonado de 85% em quatro anos somente para os
oficiais - tenentes, capitães, majores e coronéis -, mas não para praças -
soldados, cabos, sargentos e subtenentes - da corporação. Ontem de manhã,
enquanto oito deles eram ouvidos na sede da Justiça Militar do Estado, membros
da Associação de Familiares dos Praças da Polícia Militar do Estado do Pará
(AFPPA) e da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros
Militares do Estado do Pará (ACSPMBMPA) fizeram um “panelaço” em frente ao
local, na Av. 16 de Novembro, fechando as duas pistas de tempo em tempo para
que os manifestantes rezassem de mãos dadas um Pai Nosso no asfalto. Continue lendo...
Lidiane Moura não tem nenhum familiar respondendo
processo, mas por fazer parte da AFPPA, participou do protesto na manhã de
ontem. “Isso é uma vergonha e não pode ficar assim, é uma humilhação para a
corporação, e se houver condenação, podem ter certeza que vamos fechar quartéis
aqui e no interior, já estamos nos preparando para isso para o caso de haver
praça expulso da PM. Os oficiais xingaram os cabos e soldados até de ‘burro’,
por que eles também não foram indiciados?”, questionou.
“Queremos direitos iguais, só isso. Não podemos ser
presos ou punidos por lutarmos por isso”, lamentou o cabo Francisco Xavier,
presidente da ACSPMBMPA e um dos policiais indiciados. “Hoje em dia, policial
militar é cidadão de segunda classe, até os tratados internacionais de Direitos
Humanos confirmam isso”, corroborou o soldado e recentemente eleito deputado
estadual pelo PROS, Tercio Nogueira. Ele também está entre os 41 citados, mas
avisou que goza de foro privilegiado por ser parlamentar e não será arguido
pela Justiça Militar. “Na verdade, o foro privilegiado se refere a crimes
comuns e de responsabilidade, então se ele se recusar a prestar depoimentos,
será julgado à revelia, ou seja, somente diante dos fatos previamente
apresentados”, contrapôs o promotor de Justiça Militar, Armando Brasil, que
ofereceu as denúncias à promotoria.
Em todo o Estado, são mais de 70 policiais respondendo
por crimes de motim, revolta, organização de grupo para a prática de violência,
omissão de lealdade militar, conspiração, aliciamento para motim ou revolta,
incitamento, recusa de obediência e reunião ilícita por conta desse episódio,
sendo esses 41 só lotados em batalhões na Região Metropolitana de Belém. “É
crime, em qualquer lugar do mundo, a paralisação da Polícia Militar. E
independente do mérito é por isso que eles estão respondendo processo, não há e
nem pode haver subjetividade na causa: quando um militar para por causa de
salário ou de qualquer outra questão, a sociedade perde a segurança, é por isso
que isso, na Justiça Militar, se configura como um crime”, justificou o
promotor da JME, reforçando que condenações envolvendo mais de dois anos de
pena recairão inevitavelmente em expulsão da corporação. (Diário do Pará)

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