...nesta semana na vila de Alter do Chão acontece mais uma festa da fartura, onde pessoas do mundo inteiro durante três dias...
● ÇAIRÉ E AS ENCANTARIAS DOS BORARI - Três centenas de anos atrás, as missões católicas
apostólicas romanas, encanoadas com a força de caboclos remadores chegaram na Ilha
do Amor, paraíso encantado dos Borari – Tribo que nasceu no céu da Amazônia, a
natureza nessa parte da Hileia, tinha os moldes originários do paraíso celeste,
e como anfitriã dos Borari, o Tupã da Ilha do Amor oferecia de tudo para seu
povo, peixes, fruteiras, sol, água cristalina e areias alvas de assoviar nos
pés – A vida era plena, longe das civilizações iludidas com a evolução do mundo
cão, foi que jesuítas na missão de levar o Deus deles para mostrar aos Borari,
trouxeram matreiramente o Sairé para amansar o índio cabreiro, que não botava
fé na fé cristã dos católicos – Assim começou o Sairé, uma festa religiosa
indígena, os jesuítas fizeram uma mistura da reza deles com as crenças indígenas,
um dos caciques Borari espiando para um escudo de lata português, rascunhou em
arco de madeira e carregava nas ladainhas aquele arco, foi que um jesuíta viu
aquilo e pediu para o índio colocar três cruzes para simbolizar a Santíssima
Trindade, então surgiu o símbolo oficial do Sairé, o arco da das três cruzes – O
Sairé dos Borari virou “festa de ramada” e para esse povo a chegada do verão
trazia a fartura, eles então erguem dois mastros, um para as mulheres e
outro para os homens, pois na sociedade Borari as mulheres tem o papel de
comandar seu clã, enchem de frutas do verão e convidam as tribos da região
para ofertarem aquelas oferendas a Tupã, o mesmo Deus dos jesuítas - Os mastros
significam a ligação do homem entre o céu e a terra e as frutas o alimento
sagrado da alma - O Sairé na essência Borari é uma grande confraternização dos
povos da floresta em agradecimento a beleza natural do lugar e toda a comida
que a natureza de Deus nos oferece gratuitamente, Sairé significa “celebrar a
vida em abundância” - O tempo passou o
Sairé incorporou outros hábitos da vida moderna, pois o povo Borari era um povo
feliz, todo dia era dia de festa, não existia infelicidade em Alter do Chão,
nome dado pelos portugueses para a casa dos Borari, lá era o céu da Amazônia – Inevitavelmente
a modernice chegou e o branco com a sua visão de espetacularização, começou a
manipular o Sairé, mudou logo a grafia para Çairé, e incorporou o festival dos
Botos Tucuxi e Cor de Rosa e nesta semana na vila de Alter do Chão acontece
mais uma festa da fartura, onde pessoas do mundo inteiro durante três dias,
podem esquecer de suas dores, contemplar seus amores, festejar seus sonhos, ou
descansar numa rede na beira do Tapajós límpido, afinal ninguém leva nada dessa
vida, então o povo Borari na sua sabedoria celebra a vida de sua maneira,
sintonizada com Deus, com a Santíssima Trindade, regada de muita comida e
bebida para que o ser humano desperte, que viver é celebrar com encantaria a nossa existência
nesta terra mãe... FIM!
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