● PROCURADORIA AVALIA ‘SAÍDA HONROSA’ PARA DALLAGNOL DA
FORÇA-TAREFA - Procuradores discutem nos bastidores o que poderia ser uma
“saída honrosa” para Deltan Dallagnol da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.
A ideia seria promovê-lo ao cargo de procurador regional, para atuar na segunda
instância do Ministério Público Federal, o que o afastaria da operação. Para
isso acontecer, porém, Dallagnol precisa se candidatar à vaga. Dallagnol é o titular da Lava Jato desde o início, há
cinco anos, período em que a operação levou dezenas de empresários e políticos
à prisão. Nos últimos meses, porém, teve a conduta contestada após a divulgação
de conversas privadas no Telegram com integrantes de sua equipe e com o então
juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro. Eles não reconhecem a
autenticidade das mensagens. As conversas reforçaram representações contra
Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público, que fiscaliza a atuação
de procuradores. A decisão pela promoção cabe ao Conselho Superior do
Ministério Público Federal, formado por dez subprocuradores e presidido pelo
procurador-geral da República, Augusto Aras. Há, no momento, dez vagas abertas
para procurador regional – cinco por antiguidade e outras cinco por merecimento
– e mais uma prevista até o fim do mês. Dallagnol precisaria se candidatar a
uma vaga por mérito. Segundo o Estado apurou, aliados de Dallagnol se dividem
quanto à possibilidade de o procurador concorrer. Segundo Januário Paludo, um
dos mais experientes da equipe da força-tarefa, ainda não é hora de o
procurador sair. “Essa é uma questão pessoal dele. A operação ainda está em
curso. Temos trabalho para pelo menos dois anos”, disse Paludo ao Estado. Por
outro lado, defensores da promoção a Dallagnol argumentam que isso seria uma
forma de reconhecimento pelo bom trabalho na Lava Jato. Ao mesmo tempo, poderia
reduzir o desgaste na imagem da operação, sobretudo pela exposição pessoal do
procurador após as divulgações das mensagens. O procurador evita falar do
assunto. Questionado pela reportagem, Dallagnol não comentou. Mesmo seus
interlocutores afirmam não saber qual será a decisão. Quem acenou com a
possibilidade publicamente foi Aras. “Vai haver a promoção de 11 procuradores
regionais da República nas próximas sessões. Ele (Dallagnol) pode ser
promovido, até porque é um direito dele. Nem por isso deixará de responder (a
representações no Conselho Nacional do MP)”, disse o procurador-geral da
República em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada na segunda-feira
passada. (Estadão)

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